MOSTRANDO
quarta-feira, 16 de julho de 2008
" Brahma disse :
-Mesmo depois de ouvir dez mil explicações
um tolo não se torna mais sábio.
Mas um homem inteligente só precisa
de duas mil e quinhentas." ( Mahabharata )
Poder de Maya
Estou me sentindo tão ridícula, hoje. Primeiro por ter me permitido ser assolada por vagalhões de sentimentos impertinentes. E por ter ainda a necessidade de controlar certas emoções. Eu não teria que permitir ou não, a invasão de paixões de um espírito descontrolado. Por espírito aqui entenda-se mente, razão e emoção. Já deveria ser algo intrínseco à minha natureza, a ataraxia, e que eu pensava possuir. Então, várias desmedidas, e êrros de julgamento, quando eu cria nem mais fazer parte de minha vida julgamentos. Tão sòmente análises. E, súbitamente sou assolada por furiosas emoções, revoltas, raivas. Uma vergonha! ( muitas vergonhas).Em segundo lugar, pela exposição dos sentimentos, confissões públicas, se bem que nem tão públicas assim pois que poucos leitores tenho e esses poucos se mostraram amigos nesta crise, e afinal, amigos são para essas coisas,não é mesmo, mesmo que só os conheça da rede. E quanto ao teor pessoal, confessional, não são assim as poesias ? ( tento me confortar, nas minhas fraquezas ).
Em terceiro lugar, e esta é a pior de tôdas, como é que alguém no meu estágio de vida pode sentir... Não, isto é demais, foi difícil confessar até a mim mesma, ainda não posso expor. Aquí minha autocrítica tem que intervir, radicalmente. Tenho que exercer o juizo. Este sentimento novo/ velho que vem insidiosamente me acometendo, é outro que eu tambem julgava ter expurgado, ante a impossibilidade do surgimento de um novo objeto de referência, e absolutamente implausível. Vaidade...Não a relativa ao corpo físico, esta exerço pelo inverso, mas ao corpo mental.
Chegando ao final da página eis que descubro um quarto motivo para sentir-me ridícula. É o fato de ainda sentir-me ridícula, não estar livre também deste sentimento. Tenho muito que caminhar e aprender. Que a Natureza/Deus, me conceda vida longa para que eu possa, quem sabe, aprender lições elementares.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Revisão
Um rápido e superficial mergulho no inferno ajuda a não esquecer que o inferno existe sim, mas que é possível escapar, pois eu escapei um dia. Deixei para trás a falta de esperança, de perspectivas. E a dor, que de psíquica se converte em doenças e dor física. Trata-se de um alerta, uma necessidade premente de redobrar a atenção pois em algum lugar pode estar disfarçada, escondida, uma outra porta de entrada. Entendo a realização pessoal de Sísifo, a satisfação no transportar de novo e de novo, sua pedra, pela eternidade, estava fora, não deixa de ser um grande ganho.
Convalescendo
A tristeza vai passar, está passando. Agradecida a vocês que sabedores do que acontecia ao lerem algo tão pessoal me telefonaram, plenos de carinho e solidariedade. Ao relatar, diversas vezes em detalhes o real, se é que existe real, que tudo não é só produto de minha imaginação e coincidência da imaginação de um coletivo de pessoas, viventes no mesmo tempo/espaço, ou será que nem viventes somos... Mas foi-me proporcionado um rápido expurgo da raiva, tanto que fiquei até questionando se não deveria deletar o que havia escrito. Mas se o blog ocupou o espaço do " querido diário" e dele eu nunca rasguei páginas, e apagando "acontecências", por não saber quem sou, se sou só imaginária, apagaria uma parte do que sou, seria um tanto menos ainda. Então fica relatado o desespêro. E quem sabe eu até volte a visitar alguns blogamigos, pois desde o acontecido, drama fimdessemanal, que não saio de mim mesma, não quero saber do outro, dane-se o outro ( desculpem-me "outros" afinal, menos cameliana um pouco voltei minha ética para o agir para...nada). Mas o fim-de-semana foi apenas ante-ontem, nem deve ter sido notada minha ausência. Ausência de "ninguem". A única coisa que já havia deletado foi o clipe com a música cuja letra, falando do desespêro fazia menção a "quem cuidará de mim " isso, mesmo nesta fase, é um pouco demais para mim, pois mesmo carente, e sou ( minha auto-suficiência é "fake"), não consigo assumir a necessidade de ser cuidada, pois a auto-suficiência imaginária, de tão imaginada se tornou constitutiva do realimaginário. Assumir em público uma necessidade de carinho, de forma direta, se torna impensável. Só assim, fingindo que não quero, que não necessito. De outra forma fico envergonhada. ( Como se só o fato de ter assumido um blog com conteúdo pessoal, confessional, não fosse uma assunção pública de que estou necessitada daquilo que finjo não querer). " Se guardo as mãos distantes do meu peito..." A única coisa que não deixa dúvidas é esta contradição aparente entre o que represento, entre os diversos personagens escolhidos em cada fase da representação da existência.
Ainda preciso de tempo para reorganizar minha mente-solidão. E decido que volto aqui com o tal clipe, pois no futuro histórico de minha vida, será bom recordar o que foi, o que fui construindo de mim.
Ainda preciso de tempo para reorganizar minha mente-solidão. E decido que volto aqui com o tal clipe, pois no futuro histórico de minha vida, será bom recordar o que foi, o que fui construindo de mim.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Dona sra. Urtigão,
A VOLTA DA FORÇA DA URTIGÂO. ( Ou a vitória parcial do mêdo.)
Sairei daqui, continuarei visitando blogs, mas ninguem me verá. Se amigos fiz, serão benvindos, sempre, incondicionalmente. Se não...nada posso fazer. Novos, só se forem trazidos por algum que já o seja. Não há como violentar-me. Quando eu tiver algo a comentar sôbre o que estiver vendo, será aqui que o farei. Motivo? administração interna de meus defeitos.
revendo...
Revendo o que escrevia em outros tempos da minha história, vejo como a abordagem da vida progride ( sem positivismo, mas de certa forma positiva) ao longo de nossas experiências acumuladas. A agressão (assédio moral) de que fui vítima ontem, o agressor contumaz, ao vivo e a cores, atingiu, sim e me faz chorar, mas devido a distância havida no tempo e no espaço, não produz mais desespêro, pois aprendi que a própria existência confere rumos não esperados e de certa forma nos conduz. Será isso uma Providência Divina ? O que então não tinha solução, hoje é só experiência que permite um exercício superior da razão cogitativa. Por isso, pelo passado e pelo presente, reafirmo, sou feliz. Tenho tudo para estar feliz. Mesmo que aos prantos.
Parodias - XXV
(1985)
Minha tristeza tal é
que não tenho como ir adiante,
trago para os filhos as desgraças
buscadas por estas lidas,
tragando ares de espanto
conservarão este sangue
Minha tristeza tal é
que coisa alguma pode alterar
sòmente a vida que tenho
para dever conservar,
aqui todos são irmãos
de dor pelo êrro da mãe.
Minha tristeza tal é
por não poder consertar,
trago presente em meus traços
o que lhes faço de exemplo
cobrindo-se assim de agonias,
vão ser tristes tambem
Minha tristeza tal é
que não tenho máscara alegria,
como não posso fazer
um milagre de coragem e fuga,
trago aqui uma esperança,
o fim do tormento ou da vida
Minha tristeza tal é
que não tenho como ir adiante,
trago para os filhos as desgraças
buscadas por estas lidas,
tragando ares de espanto
conservarão este sangue
Minha tristeza tal é
que coisa alguma pode alterar
sòmente a vida que tenho
para dever conservar,
aqui todos são irmãos
de dor pelo êrro da mãe.
Minha tristeza tal é
por não poder consertar,
trago presente em meus traços
o que lhes faço de exemplo
cobrindo-se assim de agonias,
vão ser tristes tambem
Minha tristeza tal é
que não tenho máscara alegria,
como não posso fazer
um milagre de coragem e fuga,
trago aqui uma esperança,
o fim do tormento ou da vida
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS PLANTAS
A Declaração Universal dos Direitos das Plantas, concebida pelo professor universitário Adalberto Bello de Andrade é a seguinte:

Art. 1º - Todas as plantas nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2º - O homem depende da plantas e não podem exterminá-la. Tem obrigação de colocar a seu serviço os conhecimentos que adquiriu.
Art. 3º - Toda planta tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de uma planta for necessária, deve ser precedida de cuidados para o transplante da espécie.
Art. 4º - Toda planta pertencente a espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural terrestre ou aquático e a reproduzir-se. Todo corte de planta, mesmo para fins educativos, é contrário a esse direito.
Art. 5º - Toda planta pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhaça do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e liberdade que forem próprias de sua espécie. Qualquer modificação deste ritmo ou destas condições, que for imposta pelo homem com fins mercantis, é contrária a esse direito.
Art. 6º - Toda planta escolhida pelo homem para companhia tem direito a uma duraçfão de vida correspondente à sua longevidade natural. Abandonar, esmagar ou queimar uma planta é ação cruel e degradante.
Art. 7º - Toda planta utilizada em ornamentação, principalmente em recinto fechado, tem direito à limitação razoável da permanência desse ornamentação, bem como à adubação reparadora, água pura e ar natural.
Art. 8º - A experimentação vegetal que envolver sofrimento físico ou dano irreparável à planta é incompatível como os seus direitos, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade. As técnicas de enxertia que visem à presevação da espécie devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9º - Se uma planta for criada para alimentaçào, que o seja em solo previamente preparado, utilizando-se técnicas e elementos que permitam o seu crescimento natural, e que jamais alterem o sabor característico da espécie ou acelere a maturação dos frutos. Se uma planta for criada para transformação, seu corte deve ser precedido do replantio de, no míimo, 10 unidades da sua espécie.
Art. 10º - Nenhuma planta, fruto ou semente deve ser utilizada para divertimento do homem. As exibições de maneira imprópria ou chocante são incompatíveis com a dignidade da planta.
Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de uma planta constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.
Art. 12º - Todo ato que implique morte de grande número de plantas selvagens constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie. A poluição destrói o ambiente natural e conduz ao genocídio.
Art. 13º - As cenas de violência contra plantas - cortes, derrubadas e queimadas - devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos das plantas.
Art. 14º - Os organismos de proteção e salvaguarda das plantas devem ter representaçào em nível governamental. Os direitos das plantas devem ser defendidos por lei, como os direitos humanos e os direitos dos animais.
(*) Publicado no Jornal do Brasil de 20 de Novembro de 1988

Art. 1º - Todas as plantas nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2º - O homem depende da plantas e não podem exterminá-la. Tem obrigação de colocar a seu serviço os conhecimentos que adquiriu.
Art. 3º - Toda planta tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de uma planta for necessária, deve ser precedida de cuidados para o transplante da espécie.
Art. 4º - Toda planta pertencente a espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural terrestre ou aquático e a reproduzir-se. Todo corte de planta, mesmo para fins educativos, é contrário a esse direito.
Art. 5º - Toda planta pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhaça do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e liberdade que forem próprias de sua espécie. Qualquer modificação deste ritmo ou destas condições, que for imposta pelo homem com fins mercantis, é contrária a esse direito.
Art. 6º - Toda planta escolhida pelo homem para companhia tem direito a uma duraçfão de vida correspondente à sua longevidade natural. Abandonar, esmagar ou queimar uma planta é ação cruel e degradante.
Art. 7º - Toda planta utilizada em ornamentação, principalmente em recinto fechado, tem direito à limitação razoável da permanência desse ornamentação, bem como à adubação reparadora, água pura e ar natural.
Art. 8º - A experimentação vegetal que envolver sofrimento físico ou dano irreparável à planta é incompatível como os seus direitos, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade. As técnicas de enxertia que visem à presevação da espécie devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9º - Se uma planta for criada para alimentaçào, que o seja em solo previamente preparado, utilizando-se técnicas e elementos que permitam o seu crescimento natural, e que jamais alterem o sabor característico da espécie ou acelere a maturação dos frutos. Se uma planta for criada para transformação, seu corte deve ser precedido do replantio de, no míimo, 10 unidades da sua espécie.
Art. 10º - Nenhuma planta, fruto ou semente deve ser utilizada para divertimento do homem. As exibições de maneira imprópria ou chocante são incompatíveis com a dignidade da planta.
Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de uma planta constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.
Art. 12º - Todo ato que implique morte de grande número de plantas selvagens constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie. A poluição destrói o ambiente natural e conduz ao genocídio.
Art. 13º - As cenas de violência contra plantas - cortes, derrubadas e queimadas - devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos das plantas.
Art. 14º - Os organismos de proteção e salvaguarda das plantas devem ter representaçào em nível governamental. Os direitos das plantas devem ser defendidos por lei, como os direitos humanos e os direitos dos animais.
(*) Publicado no Jornal do Brasil de 20 de Novembro de 1988
domingo, 13 de julho de 2008
Vivendo ...
Dura, muito dura a lição de hoje. Faz com que eu não queira aprender mais nada. Desejos de estagnação. E eu que pensava que...
A força da história pessoal
Hoje não fui ao baú, não visitei letras do passado, não revi velhos amigos, não fui a nenhum dos lugares que gosto. Hoje tive um confronto direto com a maldade. A mesma maldade que me atormentou no passado. O mesmo autor, ator, causador da Dor. Me sinto destroçada. Um duelo verbal que atingiu várias das cicatrizes, fazendo sangrar, novamente. E acreditava que isso não seria mais possível, que nada assim me atingiria, que estava imune, forte o bastante para o combate, qualquer combate. Saí de pé da arena, não me rendi. Mas não sei como cicatrizarão e se suportarei os ferimentos.
Outra:
Sabem de uma coisa que me irrita (entre tantas, hehehe) ? O tal do "beijo no coração". Sei a intenção : agraciar o representante metafórico da emoção. Mas, 1º) exclui do carinho o todo que a pessoa é. Então minha razão não merece beijo? meu corpo físico também não? Não sou capaz de compreende um carinho parcial. 2º) convenhamos, o coração é um órgão que não para quieto e que para ser acessado implica em agressão ou violação da integridade do corpo e...sangra. Urgh! nojento !
Hoje
Superficialidade. Rapidez. Espetáculo. Quantidade. As relações humanas estão regidas cada vez mais por valores fundados em questões que promovem o desconhecimento do outro e principalmente o de si próprio. Os olhares não se fixam, passam ràpidamente. E quando falo de olhar não me refiro sòmente ao ato mecânico exercido pelo aparato da visão mas a conjugação deste mesmo ato com a sensibilidade, a razão, e até, porque não, a espiritualidade. A atenção. Isto, a falta de atenção, é o motivo principal pelo qual os fatos que ocorrem no mundo só importam quando ocorrem em nosso quintal. E a comoção dura apenas o instante entre êste e o próximo espetáculo. A dor alheia é ... alheia. Não é sentida, não se experimenta a compaixão. ( passio = sentir, co = junto ). Pode ser apreciada quando faz parte de um conjunto das necessidades de atenção às nossas carências. Da mesma forma o prazer, tornando-se efêmero, será sempre insuficiente para a satisação de nossas necessidades constantes. Trocamos o aprofundamento nas relações, no conhecimento por uma busca do que está aparente em cada fenômeno. Não nos detemos em nada,e para nada. Passamos ràpidamente por tudo numa busca incessante de mais. E nem percebemos que o muito está contido naquilo que mal olhamos. Há quantidade tanto na profundidade quanto na abrangência. E a qualidade, que negligenciamos, ah! Isto está em cada um de nós, e jamais no exterior. Por isso não atingimos a felicidade.
sábado, 12 de julho de 2008
Breve história de minhas fotografias

Abrir o baú trouxe consequências. Vira e revira, acabo estruturando outro blog para apreciar as fotos que estão guardadas ( e outras que farei). Gosto muito do meu jardim fotográfico. Tanto o prazer da busca pela luz e pela cor perfeitas, e sempre inalcançáveis, quanto do apreciar depois. Rever álbuns. E ainda uso recursos que já são tidos como obsoletos. Não tenho nenhum tipo de máquina digital. Uso filme, em uma câmera Zenit 11. Para postar, uso um scanner do PC de minhas filhas, transporto por e-mail para o meu arquivo e só então posso apreciá-las no ecram. Decidi que não farei nenhuma alteração, nem mesmo zoom ou recortes. São como são e é assim que gosto delas. Em algum momento do futuro, quem sabe, se adquirir o meu objeto de desejo, que ansiei por tôda a vida, câmera com recursos a mais, lentes diversas, filtros, e passados tantos anos já acrescento, tecnologia digital, não me recuso a novas linguagens. Mas até hoje todos os recursos produzidos e obtidos pelo meu trabalho, foram para a manutenção da família, como quando com reservas feitas para a câmera, a geladeira morreu, sem chance de UTI, e outras situações semelhantes. Mas nada disso tem interêsse para ninguem, apenas justifico, de mim para comigo. São uma das fontes do meu prazer.
Indecisões
Postei, tirei, guardando no rascunho, postaram um comentário que deconsiderei, não pelo comentário, mas pelo meu texto e agora o comentário desapareceu, não sei como encontrá-lo no limbo da rede onde vão parar tantas coisas que tento fazer na máquina ( desculpe-me Ubbalda! ). Durante o período da insônia, sem paciência nem para ler, (óóóh!), postei de novo e armazenei, mais uma vez. Coisas estranhas estão acontecendo, embaralhei as coisas, não consegui coerência nos meus projetos de incoerência. Estou fixada em um personagem, eu, que nem gosto de ser fotografada, não porque me roube a alma, mas porque me crie uma almaimagem diferente de como me vejo. Eu não me vejo, não me escuto, pelo menos não como os outros o fazem. Estranho a minha voz gravada, estranho minha imagem gravada, não me lembro de jamais ter sido assim, de quem me lembro era outra figura. Não gosto de quem passou em quem fui por muito tempo, de quem viveu em meu corpo enquanto eu procurava quem sou, mas nem sou, estou sòmente, desta ou daquela forma, tudo o mais é um mistério. Onde estão aquela criança, aquela jovem ? onde está aquela que sofreu, e que se desprendeu? quantos corpos eu vivi, quantos pensamentos pensei, onde foi parar tudo isso ? com certeza, não no limbo da máquina. Está tudo solto por aí, convivência simultânea de múltiplas possibilidades no tempo e no espaço... ou está sepultado na história apenas revisitada pela seletiva memória?
Êste é o segredo das palavras. Impõem uma coisa como se verdade fôsse. Por isso o mundo foi feito a partir do Verbo, o Logos. Quantas palavras em quantas memórias constróem uma mesma pessoa. Que jamais será a mesma. Depende do ponto de vista.
Aquela postagem ? vou anexar aqui, entre aspas. Não estou sabendo perder nada. Mesmo quando perder significa ganhar. Mesmo quando o haver não tem nada a ver, nem mesmo algum interêsse.
"Depois de viajar no mundo virtual pela Floresta Amazônica, especialmente a região do Acre, fui visitar alguns amigos de outros tempos em seus blogs. Viagem sombria, não pelas lembranças que poderiam aflorar de uma época de vivências que seria melhor sepultar, ou melhor incinerar.( Melhor um pouco de CO2 a mais na atmosfera, do que o solo da terra contaminado com tanta tristeza. Afinal, tradicionalmente, o fogo é agente de purificação ). Mas não foi êste a motivo do dissabor que me assolou.
Falo de perspectivas negativas para a existencia na Terra. Não só das perspectivas decorrentes dos danos que estamos produzindo ao nosso ambiente. Mas de algo que se considerarmos verdadeiro, é muito mais trágico. Não estou sendo clara, eu sei.
É como se evitando falar dos meus fantasmas êles desaparecessem. Como uma criança que se esconde tapando os olhos. Como uma avestruz. Não deveria ter olhado para o que não quero ver.
Acho que ficar mais de cinco dias sem andar pela mata prejudica minha razão, afeta minha sensibilidade. E esta semana não posso ir, pois alguns precisam de minha presença por aqui. Mas uma voltinha só, por perto mesmo, respirar o cheiro de terra molhada, ver o brilho dos raios de sol por entre as folhagens, minúsculos arco-iris em gotas de orvalho, isso eu posso. Nas matas da minha serra. Não preciso ir a outras serras, mesmo que estas estejam cheias de lembranças de coisas que gostaria de não mais recordar, mas a mata é justamente renovação."
Êste é o segredo das palavras. Impõem uma coisa como se verdade fôsse. Por isso o mundo foi feito a partir do Verbo, o Logos. Quantas palavras em quantas memórias constróem uma mesma pessoa. Que jamais será a mesma. Depende do ponto de vista.
Aquela postagem ? vou anexar aqui, entre aspas. Não estou sabendo perder nada. Mesmo quando perder significa ganhar. Mesmo quando o haver não tem nada a ver, nem mesmo algum interêsse.
"Depois de viajar no mundo virtual pela Floresta Amazônica, especialmente a região do Acre, fui visitar alguns amigos de outros tempos em seus blogs. Viagem sombria, não pelas lembranças que poderiam aflorar de uma época de vivências que seria melhor sepultar, ou melhor incinerar.( Melhor um pouco de CO2 a mais na atmosfera, do que o solo da terra contaminado com tanta tristeza. Afinal, tradicionalmente, o fogo é agente de purificação ). Mas não foi êste a motivo do dissabor que me assolou.
Falo de perspectivas negativas para a existencia na Terra. Não só das perspectivas decorrentes dos danos que estamos produzindo ao nosso ambiente. Mas de algo que se considerarmos verdadeiro, é muito mais trágico. Não estou sendo clara, eu sei.
É como se evitando falar dos meus fantasmas êles desaparecessem. Como uma criança que se esconde tapando os olhos. Como uma avestruz. Não deveria ter olhado para o que não quero ver.
Acho que ficar mais de cinco dias sem andar pela mata prejudica minha razão, afeta minha sensibilidade. E esta semana não posso ir, pois alguns precisam de minha presença por aqui. Mas uma voltinha só, por perto mesmo, respirar o cheiro de terra molhada, ver o brilho dos raios de sol por entre as folhagens, minúsculos arco-iris em gotas de orvalho, isso eu posso. Nas matas da minha serra. Não preciso ir a outras serras, mesmo que estas estejam cheias de lembranças de coisas que gostaria de não mais recordar, mas a mata é justamente renovação."
sexta-feira, 11 de julho de 2008
FLORESTANIA
Sempre a ignorancia de algo nos faz enrubescer. Foi assim recentemente ao ouvir pela primeira vez um têrmo que eu desconhecia. Passei então minhas horas livres dos dois últimos dias tentando minimizar minha ignorância. Embora eu tivesse introjetado o conceito, de sustentabilidade, de estudos da Floresta Amazônica, desconhecia o neologismo "florestania" e que nem é tão novo assim. Surgiu a mais ou menos 10 anos a partir de uma analogia com o termo cidadania e suas prerrogativas, aplicado à especificidade da sustentabilidade da Amazônia. Quem, como eu tiver interesse, sugiro uma visita virtual (o bom seria presencial,né ) à Biblioteca da Floresta Marina Silva e ler o artigo de Toinho Alves, que explca origem, conceitos, aplicabilidade. Quanto a mim, volto para lá e outros links, para me aprofundar mais. Nas letras, já que por hora não posso me aprofundar na floresta.(atalho: voce pode clicar no título )
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Do Baú
Fui procurar entre caixas e caixas de fotos, uma determinada que eu queria digitalizar para uma outra postagem de outro blog, não encontrei, encontrei outras, pois me perdi em lembranças, considerações, reflexões. Viagens pelo passado e que sempre apontam para novas possibilidades do presente/futuro.
Mas encontrei a foto da Branca.
Cansada de tantas mudanças, e talvez se sentindo velha demais para novamente enfrentar o desconhecido, ou porque gostava demais da sua vida, mais do jardim do que das pessoas, quando viu que mais uma vez encaixotávamos tudo, mudou-se para a varanda dos vizinhos. Inúteis as diversas tentativas para buscá-la, escondia-se mal chegávamos. Permaneceu no mesmo jardim, mais uns poucos anos até que desapareceu de vez, dos nossos olhos. Sábia Branca.
Mas encontrei a foto da Branca. Cansada de tantas mudanças, e talvez se sentindo velha demais para novamente enfrentar o desconhecido, ou porque gostava demais da sua vida, mais do jardim do que das pessoas, quando viu que mais uma vez encaixotávamos tudo, mudou-se para a varanda dos vizinhos. Inúteis as diversas tentativas para buscá-la, escondia-se mal chegávamos. Permaneceu no mesmo jardim, mais uns poucos anos até que desapareceu de vez, dos nossos olhos. Sábia Branca.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Desilusão
É realmente incrível como eu ainda me deixo iludir por palavras ou pessoas. Tanta experiência, tanta desilusão acumulada e às vezes ainda acredito em discursos bonitinhos, até "linko", ou recomendo; que vergonha, ó, " tô vermelha de vergonha".
Eu, que sou contraditória, que permaneço na busca de meu eu maior, aquele a ser atingido, estou com vontade de soltar um monte de palavrão, e não são palavras grandes, não, é......... , e..........
Ééé, " irar-se é vingar-se no próprio corpo dos êrros dos outros ", sei lá onde li isso. Mas calma, caalmaa, caaaalmaaaa. Tranquila, respira e solta, de novo, burrice dá em todo mundo, deixe a vaidade em alguma caixa, daquelas que voce esquece quando de mudança. - Corrija, apague, pelo menos os links tolos -(já fiz)- se alguem atravessou, peça desculpas.
Mais do que a burrice alheia, me irrita a minha própria. Bem feito, quem mandou ficar se achando melhor do que outros que se debatiam com as mesmas questões. Tropecei nas minhas próprias pernas, de novo.
Sou burra, burra! E os burros e asnos não merecem que minha estupidez seja adjetivada pela sua denominação.
Sigo em frente!
Eu, que sou contraditória, que permaneço na busca de meu eu maior, aquele a ser atingido, estou com vontade de soltar um monte de palavrão, e não são palavras grandes, não, é......... , e..........
Mais do que a burrice alheia, me irrita a minha própria. Bem feito, quem mandou ficar se achando melhor do que outros que se debatiam com as mesmas questões. Tropecei nas minhas próprias pernas, de novo.
Sou burra, burra! E os burros e asnos não merecem que minha estupidez seja adjetivada pela sua denominação.
Sigo em frente!
terça-feira, 8 de julho de 2008
Tempo
Sou uma velha, mais velha do que sou. Não estou conservada em botox, tintas ou cremes. Estou curtida pelo sol e pelo vento, pela dor e pelo mêdo. Estou feliz.
Não tenho pressa em ir para a outra esfera da vida, pois sei que irei. Tão bom quanto chegar, é a travessia.
Não penso, como Agostinho, estar encarcerada em um corpo, mas sinto este corpo como instrumento para minha alma. É verdade que às vezes um pouco desconfortável, mais como uma roupa que incomoda, ou está apertada. Permite adaptações.
Sou pó, e o que escrevo é muito, muito menos do que palha, pois palha foi o que disse que havia escrito o Dr Angélico. E o que faço é menos do que a menor partícula conhecida e por conhecer, neste Universo. Nesta escala gigantesca sou invisível, massa esvanescente. Meu tempo é menor do que a menor fração do tempo, mas enquanto meu tempo, é também eterno, tal como em um paradoxo de Zenão.
Mas enquanto estou vivente , sou capaz de interferências, mobilizações, nesta esfera de experiências. Como origem de movimento, tal como um efeito cascata,faço acontecer, promovo diferença, ou mudança, pelo simples fato de existir. Ocupo espaço vazio, com o vazio do meu corpo, mas sou matéria. Sínolo. Pó e Sôpro. Potencia e Ato. Existir e Devir. Sou mais do que anjo, pois desencarnados êles não podem experimentar dessa matéria, não podem saber o que eu sei, mesmo que sôbre a dor. Deus encarnou-se.
Vida, anverso e reverso da morte, sendo duas são no entanto una, uma só manifestação, pois que são base e fundamento da existência, e eu existente, ente, aí estou situada, universo ôntico parte do multiverso, do incognoscível.
Para aprender.
Não tenho pressa em ir para a outra esfera da vida, pois sei que irei. Tão bom quanto chegar, é a travessia.
Não penso, como Agostinho, estar encarcerada em um corpo, mas sinto este corpo como instrumento para minha alma. É verdade que às vezes um pouco desconfortável, mais como uma roupa que incomoda, ou está apertada. Permite adaptações.
Sou pó, e o que escrevo é muito, muito menos do que palha, pois palha foi o que disse que havia escrito o Dr Angélico. E o que faço é menos do que a menor partícula conhecida e por conhecer, neste Universo. Nesta escala gigantesca sou invisível, massa esvanescente. Meu tempo é menor do que a menor fração do tempo, mas enquanto meu tempo, é também eterno, tal como em um paradoxo de Zenão.
Mas enquanto estou vivente , sou capaz de interferências, mobilizações, nesta esfera de experiências. Como origem de movimento, tal como um efeito cascata,faço acontecer, promovo diferença, ou mudança, pelo simples fato de existir. Ocupo espaço vazio, com o vazio do meu corpo, mas sou matéria. Sínolo. Pó e Sôpro. Potencia e Ato. Existir e Devir. Sou mais do que anjo, pois desencarnados êles não podem experimentar dessa matéria, não podem saber o que eu sei, mesmo que sôbre a dor. Deus encarnou-se.
Vida, anverso e reverso da morte, sendo duas são no entanto una, uma só manifestação, pois que são base e fundamento da existência, e eu existente, ente, aí estou situada, universo ôntico parte do multiverso, do incognoscível.
Para aprender.
Eu ainda não contei ...
Sabem que eu não tenho sossego, ou, por ser quem sou, vivo procurando o lugar onde eu me sinta em casa. Só que isto acontece em muitos lugares que vou, exceto nas cidades-grandes, onde eu gosto de ir, de passagem. Ver, utilizar e ir embora logo. Quando digo utilizar, significa ir a algum museu, galeria, apresentações musicais tais como shows ou concertos. O ultimo concerto, na semana que passou, foi da brilhante violinista Constança Almeida Prado, acompanhada pelo piano de Sarah Higino, com um repertório variado, de Mozart e Brahms a Chiquinha Gonzaga e Piazzolla, incluindo composições do maestro Almeida Prado, pai da Contança,( e que tem como mãe a pianista Helenice Audi, tambem de renome internacional). Bravo! Fêz a platéia sair com um sorriso de quem havia passado para ou por outra dimensão. Técnica e sentimento.
Mas o que vim aqui contar não é isso, pois música tem que se ouvida, se bem que nenhuma narrativa sôbre nada é fiel a algo. Pode até ultrapassar, pelos recursos poéticos e dramáticos ou pictóricos, a experiência, mas jamais igualá-la, pois serão sempre percepções diferentes.
O que eu vinha contar era sôbre um passeio ao Matutu, no município de Aiuruoca, sul de Minas. Mas o texto acabou longo então, por enquanto, só algumas poucas fotos do lugar.
Vale do Matutu



Mas o que vim aqui contar não é isso, pois música tem que se ouvida, se bem que nenhuma narrativa sôbre nada é fiel a algo. Pode até ultrapassar, pelos recursos poéticos e dramáticos ou pictóricos, a experiência, mas jamais igualá-la, pois serão sempre percepções diferentes.
O que eu vinha contar era sôbre um passeio ao Matutu, no município de Aiuruoca, sul de Minas. Mas o texto acabou longo então, por enquanto, só algumas poucas fotos do lugar.
Vale do Matutu



segunda-feira, 7 de julho de 2008
LVI
( Lao tse)
O que sabe, não fala.
O que fala, não sabe.
É preciso manter a boca fechada
e cerrar suas portas,
embotar sua perspicácia,
desfazer os pensamentos confusos,
moderar o seu brilho,
e pôr em comum o que se tem de terreno.
A isso dá-se o nome de união misteriosa com o Tao.
Quem a tem não é influenciado pelo amor
e fica insensível ao frio.
Fica insensível ao lucro,
fica insensível à perda.
Fica insensível à glória,
fica insensível à condição de inferioridade.
É por isso que ele é o mais glorioso sobre a Terra.
O que sabe, não fala.
O que fala, não sabe.
É preciso manter a boca fechada
e cerrar suas portas,
embotar sua perspicácia,
desfazer os pensamentos confusos,
moderar o seu brilho,
e pôr em comum o que se tem de terreno.
A isso dá-se o nome de união misteriosa com o Tao.
Quem a tem não é influenciado pelo amor
e fica insensível ao frio.
Fica insensível ao lucro,
fica insensível à perda.
Fica insensível à glória,
fica insensível à condição de inferioridade.
É por isso que ele é o mais glorioso sobre a Terra.
Confissões
Tive ideologias, carreguei bandeiras, rasguei o peito, deixei exposto meu coração. Atrapalhei a vida, desejei morrer, tive dúvidas, remodelei conceitos. Tornei-me voluntàriamente reclusa, renovei os personagens com os quais me apresento, não troquei as roupas. Venci, perdi, experimentei, usei da vida como possível. Quero mais. Observar de longe. Ver a chuva sem me molhar muito. Andar na tempestade e me molhar muito. Experimentar um pouco da covardia, pensar antes de agir e agir sem pensar... Fugir, sem a culpa por não lutar. Lutar. Outros caminhos, trilhas, estradas, sem perder o rumo e sem saber que rumo tomar. Sem esquecer por onde andei, e andar, e voltar, pois é sempre uma nova estrada. Mudar de opinião, contradição, viver muito para que mais e mais se tornem possibilidades. Potência e ato.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O Profeta Gentileza
Um bom fim de semana para todos
Nem sempre falar importa. Como ouvimos é o que determina o processo.
ABSTRATO
De nada valeram amuletos,
mandingas, orações.
Velas que acendo, a santos
de tôdas as religiôes.
De nada me serviu a razão,
experiência, comprovação.
Não adiantaram confissões,
tormentos, neurociência,
e nem a Divina Providência.
Juramentos, mêdo, dor,
idade, seja lá o que for.
Ironia, filosofia,
prosa ou poesia,
surge um segrêdo assustador.
De novo a impaciência,
a espera angustiada.
-Será que êle virá
à minha tela de plasma?
Novamente apaixonada.
E desta vez é por nada,
melhor, por um fantasma.
Racional, digital, virtual.
Corto o mal pela Raiz?
Como não sei bem
o que fazer, não fiz.
ABSTRATO
De nada valeram amuletos,
mandingas, orações.
Velas que acendo, a santos
de tôdas as religiôes.
De nada me serviu a razão,
experiência, comprovação.
Não adiantaram confissões,
tormentos, neurociência,
e nem a Divina Providência.
Juramentos, mêdo, dor,
idade, seja lá o que for.
Ironia, filosofia,
prosa ou poesia,
surge um segrêdo assustador.
De novo a impaciência,
a espera angustiada.
-Será que êle virá
à minha tela de plasma?
Novamente apaixonada.
E desta vez é por nada,
melhor, por um fantasma.
Racional, digital, virtual.
Corto o mal pela Raiz?
Como não sei bem
o que fazer, não fiz.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Das palavras
Provàvelmente por estar afastada do meu nicho, por estar envolvida em outras atividades que não aquelas que já havia estabelecido como essenciais, e não com aquelas que de fato me trazem felicidade e prazer, tenho pensado demais na questão das palavras, da linguagem. Não só pelo aspecto filosófico, os jogos de linguagem, Wittgenstein, Austin, mas principalmente no aspecto sensível e pessoal, como as palavras nos prendem, controlam. Como usadas como metáforas, são esvanescentes, inconstantes.Como são, na verdade cruéis, mesmo quando utilizadas sem maldade. Como servem às vaidades. E aí ao dar uma passada pelo orkut (é, a velhinha ao redescobrir os instrumentos da contemporaneidade resolveu também experimentar esta ferramenta), numa comunidade sobre Literatura Indígena, da Eliane Potiguara e assinada por "Loira" encontrei o que transcrevo:
"Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que
prometemos, o fio de nossa ação, que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar, fica solto ao nosso lado.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente...
Ficamos amarrados às nossas próprias palavras.
Por isso os nativos têm o costume de"pôr-as-palavras-a-andar" que significa agir de acordo com o que se fala;
isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais."
E nós, nos achando civilizados, insistimos em impor nossa cultura.
"Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que
prometemos, o fio de nossa ação, que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar, fica solto ao nosso lado.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente...
Ficamos amarrados às nossas próprias palavras.
Por isso os nativos têm o costume de"pôr-as-palavras-a-andar" que significa agir de acordo com o que se fala;
isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais."
E nós, nos achando civilizados, insistimos em impor nossa cultura.
Jogos de vida
Muita gente amanhece triste hoje, afetados pelos pênaltis que não corresponderam aos desejos do povo. Os jornais televisivos irão dispender um espaço enorme em análises de um jogo. Mas pouquíssima gente irá refletir sobre a tristeza de um povo que está perdendo muito mais que um jogo, está perdendo sua vida, suas terras, ocupadas pela ganância dos invasores, madeireiros, pseudo fazendeiros, que querem, sob alegações espúrias, o pouco que restou, a eles, os donos originais de uma outrora grande nação que sabia viver com mais intensidade a Terra, a Vida mesmo, mais do que aqueles que levam a sério ocultar-se em uma pseudo rivalidade de um jogo comercial, e choram, de lágrimas, uma derrota.
Estou amarga, sim. Hoje eu vi num jornal da TV um "Indio" do Brasil beijando a mão do Papa. Pretendia chamar a atenção do mundo para o que ocorre em uma das poucas áreas que lhes resta para terem a ilusão de não estarem confinados,tutelados, prisioneiros que se tornaram por terem cometido o crime de viverem, amarem e respeitarem a mãe Terra, a terra onde nasceram e onde nasceram e morreram seus ancestrais... Um "Indio" da reserva Raposa Serra do Sol, um "indio" capaz de dar a outra face, como propôs o Cristo, àqueles que em nome do mesmo Cristo foram os primeiros a tirar-lhes as terras, a cultura, a vida e a dignidade.
Nós, choramos a derrota da "representação nacional".
Estou amarga, sim. Hoje eu vi num jornal da TV um "Indio" do Brasil beijando a mão do Papa. Pretendia chamar a atenção do mundo para o que ocorre em uma das poucas áreas que lhes resta para terem a ilusão de não estarem confinados,tutelados, prisioneiros que se tornaram por terem cometido o crime de viverem, amarem e respeitarem a mãe Terra, a terra onde nasceram e onde nasceram e morreram seus ancestrais... Um "Indio" da reserva Raposa Serra do Sol, um "indio" capaz de dar a outra face, como propôs o Cristo, àqueles que em nome do mesmo Cristo foram os primeiros a tirar-lhes as terras, a cultura, a vida e a dignidade.
Nós, choramos a derrota da "representação nacional".
terça-feira, 1 de julho de 2008
SE
( Uma poesia e uma oração )
Se
(Professor Hermógenes - )
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.
Se
(Professor Hermógenes - )
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.
Aprendizagem
Agora que supero parte do preconceito contra "a máquina" descubro que mesmo ela traz em si, ou para utilização dos recursos que disponibiliza, lições que ultrapassam o simples domínio de uma técnica. Traz na interação humano-máquina reflexos das dificuldades que "o" humano em interação carrega na sua existência. No meu caso trata-se de trabalhar a impaciência, que me faz clicar e clicar para resultados imediatos e produz uma imobilidade total. Trava tudo! Ou então publica, de repente, duas tres vezes, ou deleta além do pretendido. Isto está fazendo com que eu conte até tres... ou dez, ou quanto for necessário. Eu que sofro com a síndrome do coelho da Alice, e que produzi estresses nos filhos, com minha dificuldade, mesmo quando tentava controlar e eles sábios que são, notavam as mudanças do ritmo da respiração, olhares (des)velados. Bem, a êles já pedi perdão muitas e muitas vêzes, quanto a mim, quero uma máquina instantânea, quero o mundo no meu ritmo, quero aprender depressa, depressa! A vida é curta, mesmo o tempo bem administrado é insuficiente e a real questão não é da pressa, mas de adaptação aos ritmos e não de fazer com que tudo e todos adaptem-se ao MEU.
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