
Eu sei que fugir dos problemas não é solução. Mas talvez, bem lá no fundo ( e acho que na superfície tambem) eu me enganasse acreditando que uma mudança radical de local auxiliasse a promover mudanças em outras circunstâncias que me afetavam negativamente. Fazem dois meses que iniciei o processo da mudança, com tantos percalços que quase desisti no meio. Voltou forte aquela velha questão de se quando as dificuldades são muitas deve-se desistir ou se seria uma prova para testar a perseverança e se esta ao final traria alguma forma de recompensa.
Na verdade apenas há uma semana que estou na casa nova. As outras transcorreram com pendências relativas à entrega da casa anterior acrescidas aos movimentos habituais. Na casa nova, apenas vinha de passagem para as providências administrativas necessárias, como supermercado, pagamentos, ajustes no comportamento das pessoas que trouxe e estão ainda sob minha responsabilidade, mais ou menos como era na antiga moradia. Aqui, minha mãe que sempre disse detestar o frio, o de Petrópolis e depois o de São Paulo, passou a dizer que sempre detestou o calor. Os mosquitos me obrigam a uma adaptação diferente. Não sei ainda quais as rotinas seguras para proteger a minha família deles. São muito piores do que os de Viçosa. Constantes, dia e noite, dentro e fora da casa. Aderi fortemente a produtos químicos, que sempre repudiei. Estou envenenando meu ar, minha pele. E às filhas e mãe. Comprei cortinado para a noite, mas pôr cortinado para assistir TV? Ou lavar louça?
Vantagens? Sim, algumas. Ainda me encanto com a vastidão do céu, com as cores do poente. Cantos diferentes das aves marinhas, com a possibilidade de ver e ouvir o mar diàriamente. Os percursos para os locais que vou habitualmente, mudaram, são novas e diferentes paisagens, um reencantamento pelas rodovias. Novas cidades que atravesso, novos relêvos, novas maneiras do sol nascente.
Mas os cães não se adaptaram. Os que eram amigos entre si, passaram a brigar furiosamente, o que fez com que os canis construidos se tornassem insuficientes. Além de chorarem todo o tempo em que estão presos, o que não acontecia lá. E os vizinhos, que já da obra reclamavam da possibilidade de terem cães ao lado, agora estão revoltados, e, reconheço, com toda razão. Está insuportável. Nunca, em toda minha vida, tive problemas com vizinhos e agora aqui estou, sentindo um enorme desconforto, pois virei um estôrvo.
Então, eu que passei anos buscando uma solução que melhorasse a qualidade de vida, estou agora no mesmo ponto, buscando desesperadamente uma saída. Só que sem o sonho de mudança de casa, pelo menos por alguns anos. O investimento foi grande. Nem sei ainda como e quando irei pagar aos filhos, que custearam tudo. A perspectiva de trabalho melhor remunerado, ja não me dá esperanças, pois os quatro plantões que fiz durante o Carnaval, até hoje não me foram pagos. Vou trabalhar sem saber se vou receber. Ou quando.
Não vejo solução.
PS: Só para ter ideia de acontecimentos: à véspera de meu aniversário, que pretendia comemorar aqui, com os filhos, a mais velha estava retida na Europa, por conta do vulcão; a companhia de luz corta a minha luz, devido a débitos de 2009, apesar de ao inicio do contrato, em fevereiro, ter sido providenciado a mudança de titularidade. Noite de sexta feira, eu vindo de Minas, ao telefone, recebo a informação que só pagando o débito e aí seria imediatamente religada, com comprovação à equipe de religação. Corro feito louca, excedo limites de velocidade para chegar e pegar o aviso para providenciar o pagamento antes que fechassem os caixas eletronicos. Consigo, por 10 minutos. (ainda não sei se tive multas pelo excesso de velocidade ). Telefono e me dizem que agora precisava passar por fax a conta paga. COMO? as 10 da noite ? Paguei 300 reais por contas que não são minhas para ter luz! Passo o fax no dia 17, cedo após uma noite à luz de velas. Minha mãe não fica no escuro, grita, e passei vigiando velas. Após o fax, telefono, resposta que não fazem religações em urgência fim de semana. COMO? Mas não me disseram que era isso. Chorei muito, desde a véspera e todo o dia do aniversário. Liguei para os filhos para que não viessem, sem luz não tenho água, que só vai para as caixas por bombas. Vieram mesmo assim. Improvisaram coisas. Passaram o dia inteiro telefonando para a companhia de luz, que, penso, não aguentando mais tantas e repetidas ligações, desistiram e fizeram a ligação as 8 da noite. Ainda deu para comemorar. De rosto inchado de tanto chorar. Por que comigo? O que foi que fiz para merecer? E ainda preciso lutar pelo ressarcimento do valor pago, com o que era meu ultimo dinheiro do mes, e que me fez pedir mais empréstimos, alem de tudo que ja estava devendo. De bom? A certeza que meus filhos são pessoas maravilhosas, demais. Mas não é justo que tenham que me proteger de mim mesma, dos azares ( IRHC! detesto usar esta palavra) que me rondam a vida toda. Carma ruim, onde o que pode ser difícil, será mais dificil ainda ! E não posso reclamar, né, porque sempre piora. Tenho que ser grata ao Universo que conspira contra mim, pois os filhos são "do bem"...
Hare Krishna Hare Hare...