MOSTRANDO

SÓ PARA LEMBRAR, QUE ALGUMAS VEZES ESTOU POSTANDO NOS OUTROS ESPAÇOS DO SÍTIO, DAQUI. OU ESTOU ISOLADA EM ALGUM SÍTIO DE CÁ, FORA DO MUNDO BLOGAL.


Tenho postado AQUI ou AQUI

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mirra

Planta oriental, cuja resina  tem poder medicinal como adstringente, antibacteriano; foi usada no antigo Egito para a mumificação  e seu óleo essencial é ainda a base de muitos perfumes.  Foi um dos três presentes que os Reis Magos levaram para Jesus
Esta duas fotos são de arbustos ainda,  de Mirra que crescem na casa de minha filha mais velha. São vários, plantados pelo terreno  o que faz com que tudo a essa época tenha um perfume diferente no ar, alem do brilho das flores. Florescem em julho, mês do aniversario dela. E foram fotografados aqui exatamente no dia, este ano.

( Fotos de 2011  AQUI  )


 Esta é minha mirra mirrada, que cresce em vasos, alguns, aqui em casa.
  Ali, atras do vaso preto com terra. Florescendo agora em agosto.
Deste vaso  que só tem terra  e novo adubo, colhi  hoje  cedo  cúrcuma, a partir de três raízes que ganhei ano passado, sendo que plantei uma  aí, dei outra para a filha mais velha  e outra para um amigo  que gostam de plantar e colher e cozinhar...
À  esquerda  a cúrcuma que ganhei esta semana da mesma amiga que ano passado me deu um pouco da que tinha. No pote, minha colheita de um vaso só.



 e ainda tem o mamão, um pequeno e três  grandes, serão suficientes para  a semana.

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domingo, 19 de agosto de 2012

Boa noite !

Vamos lá




Quando eu era criança, havia um tal " nó nas tripas "  que nos aterrorizava.  Era assim : " Cuidado, se comer isso pode dar nónastripas"  ou  ' Pra dentro, a friagem pode dar nónastripas... Ô medo ! Mas para sempre o medo é essa coisa assim irreal,  mesmo que com causa ou razão aparentes,  ele não  se funda  em nada, pois  que apenas é um exagero  de sentimentos, de apegos, da vaidades.  Esses sim fundados no ego, estrutura  criada  e reforçada pelas correntes psi  fi .
O bom da manutenção desses diários, sejam os da era pre-blog, seja este aqui, virtualmente público, exposição de triste figura, da triste figura  em que muitas vezes me torno, por lutas comigo mesma, é perceber que pouco avanço  nos processos que  se diz por aí devam ser os indispensáveis à evolução do meu espirito, de todo espirito, já que segundo ensinam, sou Participante do criador, e por isso , isso é obrigação. Kantiana. Kármica.
( Repito palavras, não como erro, mas estilo, entendam-me, não me julguem e sobretudo não me crucifiquem. Medo cristãomente transmitido e ensinado como meta final, o Amor Redenção.  E também crio palavras quando não as encontro satisfatórias, claras, explícitas. )
Reflexão  compartilhada.  Exposição de pseudo contradições, os dois lados, opostos, são a moeda. E se gira, percebo uma esfera  e se mais percepções eu tivesse, multiplas ou exponenciais seriam as possibilidades.
Quais erros cometi e cometo  ?  Todos me parece, pois jamais sei quais seriam os resultados da outra escolha, o desconhecimento, mais do que a desmedida é o erro.
Absolutamente sincera ?  Jamais . Alguém é ? Nem comigo, sequer. Julgamento, julgamento, julgamento.
Não é loucura, não. Não isso. Apenas um desmedido cansaço, com a sensação de que a luta mal começou pra valer.
Quando eu era criança, eu sabia bem o que era tripa. Eu via as galinhas de barriga aberta, o porco sacrificado no Natal, eviscerado. Que medo do que um nó nas minhas tripas podia causar.

( foto: Campos do Jordão, julho 2012
Mais  de Campos de Jordão,  AQUI    E   TAMBÉM AQUI  )

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

" Mulher de fases "

Agora que abandonei o FB, apos longo periodo onde traía os blogs com aquele faceiro companheiro, que mostrou-se, como certos parceiros, fáceis, na aparencia, mas subitamente revelam-se, autoritarios, prepotentes e até violentos, estou blogando compulsivamente, aqui  e nos outros.
AQUI    e em todos os outros vão surgindo novamente  o que penso.  E em breve  descobrirei uma forma de " compartilhar "  aqui as coisas que divulgava por lá. Não o salvar, copiar-colar, que isso já sei, mas em qual das paginas isso seria mais entendido.

 Perdão,  amigos fiéis daqui.  Mas sou  mesmo assim. As coisas passam muito rápido, estou idosa, agora de verdade, pois cruzei o tal limite técnico, e tenho que experimentar mais e mais, para dar sentido e direção a minha vida. Mesmo que anárquica, como sou.

Desabafo



Detesto atitudes arbitrárias !  Por mais que tentassem me educar, ao longo da vida, tentassem dobrar-me às exigências sejam quais forem, mais rebelde eu me tornava.  Nem sei como não fiz besteiras maiores do que as que fiz.
Confesso que gostava do FB, a facilidade de contatos com antigos amigos  e colegas, a perspectiva de "encontrar" frequentemente com a família dispersa por esse mundinho, assim como amigos, e incrível, fazer amigos, algo em que nunca fui boa. Na tal rede, estava indo bem. Irritando-me também, é certo, com muita baboseira que surgia, mas aí é outra vantagem:  aquelas pessoas que só postavam auto ajuda, amigos que viraram políticos ou candidatos, bastava um clique certo  e nada mais surgia. Coisa impossível na vida material, já que mandar um amigo parar de falar é perder o amigo; no virtual eles nem percebiam que eu os havia calado. Ó doce poder.  E conforto. Quando eu queria saber de algo, era só procurar a pagina de...
Então, como o que é bom dura pouco, decidem me impor uma nova ordem, ou apresentação, sei lá.  Tentei me acalmar, contei lentamente, regressivamente, e  a Linha  entra e descubro que alem da paginação nova, eles montam e excluem um MONTÃO  de coisas que eu havia publicado, me descaracterizando.  Como censura. Assim, à vontade da seleção feita por algum idiota que me desconhece, fico com o aspecto que determinam. Dá para aceitar ?
Engolir sapos faz mal a saúde.
Não vou desfazer tudo não.  Vai ficar lá, do jeitinho que me fizeram, mas eu não estou.  Quem segue congelada a partir de hoje é uma Tania que eles montaram. Acho indelicadeza com tantos amigos  fazer tudo desaparecer. E tenho ainda uma esperança - ó tola que sou - de que desfaçam o mal feito. Se não, paciência, ou melhor, azar.  Descubro outras coisas para fazer.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O presente que ganhei

Esta semana, em um dia em que eu estava triste demais, achando que os problemas não teriam solução, um gesto de carinho da  Myra Landau    melhorou tudo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

MUITAS LIÇÕES A CADA DIA



Outro casamento ! E dessa vez não ia dar mesmo para escapar dos rituais femininos de mergulho no supérfluo, afinal o noivo é um Filho  e eu jamais iria constranger intencionalmente ou por falta de cuidado ou esforço a um filho. O problema é que se trata do neoliberal e como no caso do casamento de meu irmão, de pessoas chics. Vestido fru-fru, adereços, fazer cabelo , que se fosse "fazer"  mesmo até que seria bem útil, mas trata-se de esticar, puxar,esquentar, traumatizar o couro cabeludo e os pobres e ralos fios que tenho, como sempre foram. Unhas de pé e mão, outro ritual de tortura, e depois o protocolo exige sapatos de   saltos altos, tortura máxima que massacra os pés e artelhos.
O casamento fora decidido e organizado às pressas, não, não o que estão pensando, apenas ( apenas ???)  o noivo foi transferido para Londres  e a companheira - já moram juntos há tempos, o ato de decidir morar juntos é o que para mim caracteriza casamento, daqueles, sólidos, de verdade, mas no caso,  para ir, visto, legalização, deve ser " esposa" e então alem do procedimento legal decidem também pela comemoração, a festa para marcar sua decisão.
Sou mãe do noivo, o que e como fazer.  A busca de um caminho do meio, onde não me dilacere pelo mergulho em futilidades e ao mesmo tempo não envergonhe os noivos, ela já uma filha, um  casal como foi dito pelo celebrante, undos pelo amor pela eternidade...
Pesquisa ampla, intensiva e extensiva  descubro um vestido que posso usar, sem bordados colados com cola quente, sem rendas sintéticas feitas aos metros em maquinas, com fios derivados de petróleo, sem babados confeccionados com tecidos idem. Algumas características ainda questionáveis, para meu uso, mas está bem. Experimento dezenas de sapatos, de pares, encontro uma sapatilha adequada, mas o preço inadequado. Triagem, revejo alguns e decido por um par  que tenho em casa, de algumas outras festas, salto grosso de  3cm, amaciado e não deformante. ( Ao final da festa, a ponta do pé, massacrada pelo peso a mais a que não estava acostumada, latejava...)
Maquiagem, decididamente não. Unhas, melhor limpas como estão e são. Cabelos, está bem, vou tentar melhorar a moldura do rosto. Sei que nas tentativas anteriores de minha vida isso sempre foi um desastre, mas as técnicas e químicas e aparelhos mudaram, quem sabe...
Saí do salão na Tijuca, me controlando, que raiva, sou vaidosa sim e muito, não suporto estar monstruosa. Ao invés de cabelos tenho na cabeça uma carapaça de gosma endurecida que seguram umas reviravoltas produzidas para  o que a expert dizia ser franja - sem tesouras - e uns cachinhos de fiapos de cabelo enrolados atras e tudo repuxado, esticado e arrematados enquanto reclamava que eu deveria ter levado um enfeite de cabeça... ECA !  Cadê  a moldura do rosto ?  Eu dizia durante a " obra"  não, assim não, eu quero... e a pessoa, como são todos os que encontrei nessa área, nem aí, exercitando sua arte e eu penando...Felizmente a  casa é pertinho,  ao entrar e ver os olhares das filhas, não deu para segurar, chorei mesmo, de vaidade esmagada  e fui desfazer parte do penteado e lavar parte do cabelo  e refazer algo que definitivamente me fez sentir humilhada, enquanto estava semelhante ao  de outra mulheres em situação idêntica. Me odeio por ser burra, odeio cometer erros, mais ainda repetir erros e o Lupus sinaliza  meus erros, logo começou a arder pele, as mucosas ressecando, de sentir, erodindo, uma mancha no pescoço, logo outras ainda pequenas na face. PÁAARA !!!!!!!!!!!!
A cerimonia, conduzida por um amigo, kardecista  como a noiva, foi linda, e  eu passei por um corredor de flashs  espocando sem cair ou derrubar ninguém, no desfile de braços com o noivo, lindo o meu filho, a noiva estava  maravilhosamente bonita, tão felizes os dois, a festa foi impecável, perfeita.
Não fiz fotos, dediquei-me exclusivamente a conversas com os adultos  e brincadeiras com os quatro netos presentes.
Mas ao final, creio que mais uma vez cumpri meu papel satisfatoriamente, mesmo tendo comprado bijuteria que sabia que não iria usar ( e não usei), por pressão das meninas, mas até mandei lavar o carro todo, para não fazer triste figura.  E tentei  mais uma vez  e não teve mesmo solução,  uma abordagem estética do meu sorriso, avariado por décadas de alterações da mucosa oral decorrente do lupus. Os dentes são flutuantes, de difícil tratamento, escurecidos e manchados, então para não chocar é sorrir discretamente...
( a foto acima foi feita no retorno à casa, no dia seguinte)

Mais do casamento, AQUI,  um nada  AQUI  e mais um tiquinho  AQUI

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domingo, 29 de julho de 2012

Um clássico dos anos 70



Por motivos que relatei  em outra parte, não vou repetir aqui, estava na  Via Dutra, sentido São Paulo Rio quando decido  desviar até Visconde de Mauá.  Estava atravessada no meu caminho.  E subi a serra. Lembro de outros tempos dessa subida o fusca  cheio de amigos,e  mais tarde novamente, com a crianças, já meio adolescentes, alguma outra vez, e  agora. Essa paisagem, da região de Penedo, Agulhas Negras ao fundo, está irremediavelmente gravadas em minhas lembranças. Os campos que se estendem ondulando até o maciço, os ranchos. Algo mudou , no entanto, a estradinha, onde deslizei no barro de curvas enlameadas, perdida em meio a neblina, agora é excelente asfalto, o dia está magnifico, ensolarado, a temperatura amena.
E cruzada a vertente, a mesma paisagem,tudo igual, e chegando, ainda o mesmo. Talvez tenha mudado o nome de algum estabelecimento comercial.. Sábio povo local, que se opõe ao progresso. Sem celulares, sem postos bancários, sem calçamento alem do pequeno trecho central. Já das vizinhas Maringá  e Maromba, percebo mudanças, mais gente, mais comercio, mais pousadas e restaurantes, mais variedade no artesanato. Mas sem exageros. Nada como Búzios mudou nessas décadas, ou mesmo a recém reencontrada Campos do Jordão. E as cachoeiras, Vanessa não resistiu, mergulhou, nadou, sem sequer se preocupar se estava com um maiô fora de moda, meu, emprestado, já que nem imaginou levar roupa de banho. Essa turma mal me conhece, parece.
Objetivo seguinte,  no sentido oposto, cruzar Mauá, encontrar a Ponte dos Cachorros  " Homenagem da população ao Melhor Amigo do homem"  conforme leio em uma placa, que não fotografei. Alem da Ponte, alem de um longo caminho, estavam meus netos. Encontro, despedidas  e sigo, Mirantão. A Vila é linda, com suas casinhas coloridas, parece cenário de estorinha. A estrada de terra, que segue, em condições regulares. sobe até quase o céu. As paisagens de tirar o fôlego. E desço, Santo Antonio, asfalto, Liberdade. E muito asfalto adiante, deixo meus companheiros de viagem em Petrópolis,tinham compromissos aí, paisagens naturais lindas, vou em direção  ao centro, pensando em pernoitar para  rever pessoas queridas, o transito não anda, dez, quinze minutos, não progredi quase nada, definitivamente não quero diluir meu alto astral desse passeio no transito catastrófico dessa cidade que amava, penso em quanto teria evoluído nesse tempo no percurso para casa, pego o primeiro retorno, não aviso ninguém, duas horas e meia depois estou em casa. Fiquei fora dois dias e meio, viajei uns seis ou mais.



( Foi assim que fui passear na Dutra  LINK AQUI
e mais  AQUI )



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segunda-feira, 2 de julho de 2012

DO TEMPO ...

Enquanto me observo em minhas impaciências,  condicionadas foram elas em  seis décadas; destreiná-las vem sendo um bom exercício enquanto moro aqui, onde o ritmo não se faz ao acelerado bater de corações regidos pela ansiedade, mas ao rumorejar lento e inconstante das ondas do mar. Desacelera, esperar faz parte, atente ao instante ! Sinta! Celebre! 



domingo, 1 de julho de 2012

Nessa circularidade em que estou

Mais ou menos isso, girando em círculos , por aí e pela vida. Se há involução ou evolução, não sei, minha perspectiva é pequena. Preciso  abrir mais os ângulos de percepção, aumentar os raios dos círculos, multiplicar o numero de círculos, convertendo-os todos como múltiplos Moebius simultâneos,  enquanto exponencializo as voltas completadas temporalmente. Ou entendo a não-ação.





A lua, a rocha, a mata, aí mesmo, eu encontro frequentemente. Vindo sempre de um mesmo lugar onde fui,  e voltando para casa. Esse é o que chamo " Círculo pequeno", saindo de casa, pela baixada litoranea em direção ao Rio, passa por Petrópolis, onde visito minha unica neta-menina, em geral  e dessa vez levando também para ficar uns dias, a filha e seu filho daqui de onde moro. Mas eu sigo, quase sempre no mesmo dia. Dessa vez pernoitei, não na minha casa na mata, mas na casa de uma amiga que seguiria comigo parte da viagem, como fazemos frequentemente;  passo por Teresópolis, subindo entre as montanhas magníficas de soberba paisagem daquelas serras. E nem passo pelo tal " Soberbo"  local de lá com esse nome,estou apenas do outro lado  e por desvios e atalhos na cidade sigo para a  "Terê- Fri"   rodovia lindíssima e  cujas paisagens, impregnadas pela dor de recentes desastres, já se recuperam, aos poucos, e depois, em Friburgo,  fica minha amiga.  A paisagem é linda, mas o prazer da conversaé  tão grande que raramente fotografo nessa parte do  percurso. Esqueço. De lá, sigo para Lumiar, atravesso apenas, descendo pela SerraMar,  onde então dou de frente com a lua - veja esse meu círculo é realizado à mesma época do mês, na mesma lua,   e descendo e apreciando ainda, finalmente estou  na planície litorânea. Chego em casa para encontrar de visita o netinho mais novo, que mora perto, mas estava de viagem há 20 dias e eu morrendo de saudade.

 

Pegadas de carbono ?  Certamente, mas diluidos pelo transporte solidário efetivado. E a oferenda, em sacrifício, da redução da frequência  de minhas viagens e consequente diminuição de visitas aos netos. Menos do que eu gostaria. Pelo planeta.


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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Minha LINHA DO TEMPO - parte I



Para compensar   a falta de afeto  e carinhos maternais na minha infância, e estudando em colégio católico, tornei-me fiel e fervorosa fanática de Maria, a Mãe de Jesus, que me era apresentada como Mãe de Todos . Pouco antes de tornar-me adulta -  naqueles tempos não havia a tal adolescência, numa espécie de rito de passagem, onde pelo direito ao uso de certos símbolos, como por exemplo sapatos de salto alto ou maquiagem, por volta dos 15  anos éramos incluídas no universo adulto -  ciente de que não importava o quanto eu rezasse ou bajulasse  essa Mãe, como a outra, ela não se importava.  Não atendia minhas necessidades de carinho, e , observando o estado de abandono, muito pior do que o meu e de meu irmão, da grande parte dos filhos da terra, assim como a enorme e abissal distância que havia entre as palavras , os discursos dos pregadores, e suas práticas absolutamente afastadas da caridade e do Amor ao próximo, converti-me ao materialismo dialético marxista,  com uma certa tolerância  e curiosidade quanto à Teologia da Libertação. Escondendo minhas convicções em plenos "anos de chumbo" , cresci, namorei um líder estudantil, casei, ele era namorador e pelego, descasei, casei de novo e tive filhos, e ele era malandro,  namorador e mentiroso. Descasei de novo. Só, como sempre, com 4 filhos para criar e uma profissão que amava, mesmo não exercendo a especialidade escolhida, por pressão de preconceitos e necessidade financeira.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Felicidade

Fui dormir em meu quarto que não tem casa, no meio da mata que amo.  Meses que não ia. Chegando quase meia noite, o que é totalmente contra-indicado, num quarto entre paredes, sem habitante há meses, chegar à noite. Fazer o que, as vezes a vida, as circunstancias, nos colocam dilemas assim. A fechadura estava emperrada, Tento, 10, 15 minutos, finalmente abre. Ufa !  Interruptor  ao lado da porta, click...nada. clickclickclick, nada, procuro o do banheiro - é meu quarto na mata tem banheiro e luz elétrica, total, dez metros quadrados...click, nada, sem luz. Contas em debito automático, desço, examino o relógio-marcador-medidor, movendo-me entre o negrume da noite, com uma lanterninha que usava para examinar gargantas e reflexos oculares quando trabalhava; examino o poste, com o flash da minha velha e humilde Sony,varias fotos, olho no visor,  tudo parece no lugar .Escuto forte um TUM - TUM  - TUM, como pegadas de alguém correndo nas trilhas por onde subi. Medo. Não, medinho. Percebo, então, que se tratava apenas do meu coração, audível em tamanho silencio. Percorro com o facho de luz da lanterna, o piso, as paredes, e vejo, como quase sempre quando chego lá, uma aranha, dessas pernudas, sem teia, que dizem que se deve temer, lá, ao lado da cama.  Habitualmente, de dia, ponho roupas, livros e objetos para fora  e com delicadeza varro o animal , companhia indesejada, para bem longe, na mata. Eventualmente, amasso mesmo. Ora, trata-se do meu espaço, para elas existem muitos e muitos espaços mais. Mas impossivel toda essa manobra no escuro, com uma das mãos ocupada segurando a mini-lanterna que nem sei quanto tempo permanecerá acesa. E a danadinha, esperta que só ela, protegia-se atras de um icone de Buda, que ali fica para lembrar-me, e às raras visitas,  do respeito que se deve a todas as formas de vida. Matar uma aranha sobre a cabeça de Buda ?


Tranquei a porta, empenada, para conseguir precisei dar algumas marteladas nas dobradiças, fui dormir mesmo no quartomóvel. Frio em Petrópolis ?  Estou há 400 mts acima do nivel da cidade, que está a 890mts do nível do mar, deveria ser muito frio.  Dormi  5 hs direto, um dos meus records de sono continuo. Um conforto delicioso. Acordo antes do amanhecer e tenho o privilegio, mais uma vez, de presenciar os contornos das montanhas que me cercam, marcando-se ante a luminosidade que surge. Sem sair do saco de dormir, no bem quentinho, e sem insetos  ( Que bicho-da-mata- sou eu ?  Uma fraude!). Os passarinhos  todos em sinfonia, a cascata em frente, com seu rumorejar apelativo. fica-fica-fica...Saio antes do sol, ele mesmo, se mostrar. Aqui, neste vale profundo apesar da altitude, ele só dá as caras um tanto mais tarde, e preciso resolver muitas coisas, de onde estou ao centro da cidade, pelo menos uma hora. Dessa cidade até onde moram meus cães velhinhos, mais tres hs.
 Mas tudo vale a pena.
Na descida, o sol começa  a reluzir nas montanhas, lá longe, Maria Comprida, quase sempre parcialmente encoberta por seu chapéu de nuvens, neste dia, mais do que um chapéu, mostrava um xale.


E  já no asfalto, na tal  civilização, olho para  onde eu estava, bem lá no alto, aos pés desse pico lá atras, ao pés do Alcobaça. Nem gosto mais de ir, porque detesto ter que não ficar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SAIA JUSTA

Um dia desses, nessas listas que deram para atravancar o facebook, ou num e-mail desses meio que spam, interessantezinho, dizia-se que não se deve usar a desculpa da idade para tudo e qualquer coisa. Então, não uso, é mesmo culpa de como sou  e não sei ainda dizer o que não penso, não sou educada, não tenho modos.
Ganhei um presente. Não, não é daqueles que ganhei no meu recente aniversario de mais uma década completa, mas este, vindo de quem vem , me envaidece. Só que... Ahá, viram, não usei o  "mas "  de sempre, já que quase sempre tenho restrições a tudo e ainda não aprendi a ficar calada. Como meu irmão de fantasia, o Urtigão, que dispara tiros contra tudo, todos que lhe incomodam, eu disparo palavras , depois mesmo arrependida (?)  não as posso recolher, não voltam mesmo. Retomando, só que fiquei sem palavras. Ganhar uma obra de arte é um privilégio. Eu, que bicho-mesmo-do-mato-e-da-mata tenho dificuldade em entender arte e vejo tudo, é óbvio,  a partir das minhas limitações, um pragmatismo narcísico.  Então vejo a  inter[in]venção do TONHO, que me chega por e-mail sobre uma antiga foto minha e penso - Caraca, eu tenho medo de cruz. Não consigo associá-la à espiritualidade, mas a maldade humana. Instrumento de tortura e dor. Brandida para atemorizar os pequeninos e frágeis, ferramenta para oprimir, fazer sofrer,  amedrontar, apontando com ameaças de inferno eterno para pessoas como eu . Ainda, aposta a uma sombra de minha imagem, de saias largas, como são as que uso. E acompanhada das palavras "são seus pensamentos....sãos"  eu, que não tenho sãos pensamentos, tenho-os vãos, tontos, perdidos,  e fiquei matutando, até finalmente quase conseguir separar arte do real. Mas sinto-me agora aprisionada por aqueles elos corrente de rosário finalizada pela cruz.


Sim, sim, a composição ficou muutoligall , não tenho que me martirizar por isso, imagem adequada.

Só que tenho tanto medo da cruz quanto daqueles ícones que mostram Jesus e Maria de coração para fora, sempre penso em algum estripador, eviscerador. Violência e morte, Inquisição,  não consigo associa-las a Amor.  E detesto " beijo no coração".

TONHO, leva a mal, não, estamos nos conhecendo agora, embora eu tenha ido algumas vezes nestes anos ao   6vqcoisa   calada, em geral, como quase sempre são minhas visitas,  mesmo com esse  treinamento ( parece que ineficaz)  em me expor  e tornar-me um ser social - socialmente de longe, protegida pelo DELETE

quinta-feira, 3 de maio de 2012

informação nova

 Não, eu não desisti, não. Meu maior defeito, ou qualidade, talvez seja a teimosia. Mais do que perseverança.
Além das dificuldades usuais, que não canso de repetir, os mosquitos por todo lado, o mosquiteiro me incomoda também, o pcfrankestinho detonando-se a cada dia, estou com os meninos aqui, enquanto seus pais viajam a trabalho e isso me toma todo o tempo, aliás, deixa todo o tempo insuficiente. Dificuldade feliz.
 Informação nova é isso ?  Lógico que não, isto é para lá de requentado, é que conforme digo, as vezes ando por outros lados e hoje postei   AQUI.   Um dia desses foi  a Velhinha Veloz, e o viciante FB, enquanto não me incluírem compulsoriamente na tal linha do tempo. Nunca fui de andar na linha e não será naquela, mesmo gostando de bater papo  e "rever" antigos amigos. E aqui ando ainda com dificuldades para me situar no tal novo blogger, que os "donos" afirmam ser mais fácil, mas que faz uma velha, tal como um velho cão, ter dificuldades em reconhecer e aplicar truques novos. Com pressa e depressa, não acho os ícones que preciso clicar e como sempre tive uma certa dificuldade em reconhecer símbolos, estou  engatinhando novamente, logo agora que aprendera a andar..

Essa dificuldade em reconhecer ícones, já me deixou em situações esdruxulas, como ao assistir a um concerto, na chic  sala São Paulo, ao final entre os aplausos, corro ao toilete, sacumé, véia tem urgências miccionais, entro na "casinha"  e ao sair vejo um homem de pé apoiado à parede em frente... Eu estava no reservado errado... ( Acho que já contei essa  e seu desfecho)

Essas fotos que faço ao estilo Velhinha Veloz, sempre tem um poste, um tronco de árvore, uma gente, ou fios na cena. Eu poderia usar photoshop(?)  mas me sinto mentindo, como se a foto deixasse de ser autentica. Sempre digo que vou parar para fotografar, mas sempre será na próxima, pois dessa estou com pressa de chegar.  Lá, ou cá. Seja onde for.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jogando a toalha



Há  já  alguns  dias  venho  iniciando  e  desistindo  dessa postagem.  Hoje  ao  sentar-me  frente á máquina  defeituosa, e entre os mosquitos, mais uma  vez fico  perdida  entre  tantas confusões  de meus  pensamentos.
Afinal, jogo  a toalha ?  Desisto  do  que acredito, ou não ?  Mas reli  páginas e páginas de mim,  do  que  tenho  deixado  aqui , escrito,  e percebo  que, afinal, nada muda mesmo, e os  problemas que quero  desistir  de resolver  me perseguem  e são  essencialmente  os  mesmos, com roupagens  novas ou  disfarces, circunstancias diferentes, mas o ser que permanece  atribulado  é o mesmo . Será ?  Ouso   contradizer outro  grande  e respeitado  filósofo,  que  afirmou  que  somos, nós  e nossas circunstãncias ?  Ou SOU,  além  de cada coisa - acontecimento- que  me rodeia ?
Será,  como  disse uma grande e confiável  amiga, o  tal  do  Marte retrógrado,  em  meu  trânsito  astral ? Ou,  como  dizem  as revistas de entretenimento,  apenas decorrencias do  meu  inferno  astral ?  Veremos !  Tanto  um  como outro  estão prestes a encerrar-se. Eu,  que  nada  sei  e em  nada  confio,   que  não  recebi  a graça  da fé,  apenas  a da dúvida insistente, persistente, infinita,  que corro atras do (auto) conhecimento,  que  não  me satisfaço  jamais, pois  em  nada  vi  a verdade que acredito  que exista, que  sei que de alguma forma, em algum  lugar  a felicidade se faz existente,  tanto  que  se deixa  perceber  em rápidos lampejos,  mas não  mostra  como  ser definitivamente alcançada, talvez porque  este mundinho   em  que  vivo  seja isso  mesmo,  que  a luz não  existe  sem  a escuridão, o  bem  sem  o  mal,  pois senão  como  seriam  conhecidos? Talvez  seja  essa mesma  a trajetória  humana  que  escolhi  para  minha existencia  nesse espaço-tempo e agora, brigando  comigo  mesma,  queira  e insista  em  alterar  esse estado  de coisas?
Momentos  longos  onde  questiono  o  por que  se vive  e para  que,  se não aprendo  nada,  se vivo  e revivo  as mesmas emoções as mesmas dores  e alegrias, sempre, eterno  retorno, e por que,  principalmente,  não consigo  ensinar  nada  do  pouco  que aprendi ?  Se  as pessoas  que  me foram  confiadas  pela Vida,  rejeitam  meus  valores,  insistem  em  perseguir o  que sei  que não vai  dar  em  nada, ou pior,  sei  onde vai  dar, no prejuizo  de anos  de existencia,  em  prejuizos ao  ambiente, ao planeta ? Como  ter  paciência para  ver jovens  tropeçando, caindo  e recusando  a mão  estendida ?  Eu  sei,  eu  sei,   cada um  tem  seu  tempo, sua capacidade, mas a minha incapacidade  de aceitar  isso  me  corrói, destrói  o  pouco  de vontade  que  ainda  tenho  de conviver, estar  com  pessoas,  pois não  suporto  a dor,  nem  a do  outro,  e sei  tambem, conforme  a sapiência  dos ditos populares,  que  o  que  os olhos não  veem, o  coração  não  sente,  mas  a razão  imagina,  a memória  cogita, a fantasia cria dores alheias que eu sinto  que  deveria evitar. Ou  poderia.  Se  me ouvissem.
Então, lavo as mãos, olho para outro  lado, faço  como  os  tres macacos?  Ou  sigo  nesta luta  que tantos ferimentos  e cicatrizes deixam ?  Continuo, por acreditar  que  o  Bem  é  possivel, mesmo  que  meu  coração,  a cada  derrota  ou  vitória  fique mais  e mais  convertido  em  pedra ?  Que  a raiva  comece  a ocupar mais  e mais  espaços  de mim ? Que  tenha  que  ser sublimada  pela  duvida  do  que  possa ser ?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Como eu já sabia,

e  nem  penso  em  reclamar, (?!?!?!?!?)  afinal  não  dá  para  ser diferente.  Algo  muito  bom  sempre é acompanhado  pelo  seu  complemento,  algo  não  bom. Mas  a idade  e   a experiencia  consequente  tem  que  servir para  alguma  coisa,  mesmo  que  eu  não  entenda os por ques,  sei  que,  querendo  ou  não,  a unica  solução  é  aceitar  o  que vem  mesmo  que não seja  exatamente  o  que  quero,  mesmo  que  seja  absolutamente  o  que   nem  quero.  Sei ?



Pois   é  minha  saida de casa  seguinte  foi uma...aventura.  Rio  de Janeiro  em  horário  comercial. Eu   com  a paciência  para  tráfego  pesado  e engarrafamentos... Paciência  que  desapareceu  a algumas décadas atrás  e nunca  mais  encontrei ou  consegui  cultivar  outra... Gente,  gosto  de estradas,  de seguir  em  frente,  esse negócio  de ficar  parada   ao  calor  do asfalto, esperando  que  as politicas publicas  sejam  eficazes,  só  dá  errado. 
Assim,  vejo  uma placa  de saida para onde  eu estava indo,  "  cidade  universitária",  saio  da pista, pego  a entrada, engarrafamento,  a tal  entrada para  a linha  amarela...Um  funil  de 5 pistas para  duas,  quase  duas, caminhão  só  passa um... Não  entendo  como  fazem   algo  assim.  Uma linha expressa,  que  para  ser acessada  é  bem  parada  mesmo  e ainda  pára  a outra  via  expressa,  de onde seguem  os  carros,  da vermelha para  a amarela,  o  funil  magico  obstrui  as duas vias.  Mas,  sem  solução,  sigo  e  dou  de cara  com  um portão  fechado  para acesso  a "cidade universitária.  FECHADO.  Tenho  que  seguir  pelo  monstruoso  engarrafamento,  barulhos, o  pobre bebê  dentro  do  carro  inquieto, ainda  bem  que  a Mamãe  está  junto, mas nem leite  acalma,  o  calor, o  barulho,  o  astral  de gente irritada,  e levo  exatos  55 minutos para  sair  da ilha  do Fundão,  de frente  ao  portão,  seguir para  o retorno, Av. Brasil,  e novamente Ilha  do Fundão.  Quem  é  a BESTA  que deixa uma placa  indicativa  sem  avisar  do  portão  fechado ?  Mas sigo,  pego  a caçula, levo  as duas para  a casa -  republica  desta, onde ficarão  uns  dias  a Mana  e o Bebê , e novamente  estou  engarrafada.  Peço  ao  gari  informação  se estou  no  caminho  certo,  ele diz  que  sim, logo  ali,  sigo  e nada, o viaduto  não  está  a vista, peço  informação  a dois senhores de aspecto  distinto  no  carro  ao lado,  eles dizem,  -"Não,  tem  que  entrar  a esquerda  e depois a direita", gentilmente  me  deixam atravessar, uma ruazinha de  200 mts  que  levei  quase 30  minutos para  percorrer,  para ao  final  descobrir  que  só  poderia dobrar  a esquerda  e voltar  para  a ruazona  onde eu  estava... Que RAIVA! Que maldade ! Eu  que  fui  desconfiar  do gari,  bem  feito...Finalmente  consegui,  sigo  em  velocidade  de muitos carros,  até  a subida  da serra,  como  é  possivel,  agora   nesta  estrada  só  se anda  a  20,  30km/h ,  excesso  de caminhões,   mas o  pedágio  é  de auto estrada.  Chego  na  serra.  realmente  não  sou  mais  daqui:  chovia  e eu  nem  tinha  calçado apropriado,  perdi  a prática !  Tenho  nojo  de pisar  de sandália  naquelas poças de chuva de cidade.  Se  fosse  na  roça, outra  coisa, mas lama  urbana ?  Éca !
Noite  boa,  papo  com  amigas,  dia  seguinte  brincadeiras  com  a netinha, unica  menina, unica  petropolitana, unica  motivação para  enfrentar  essa cidade,  e sigo  viagem  de volta,  crente  que   em  3 hs  chegaria em  casa,  tempo  habitual. . Ilusão.  Num  entroncamento  confuso,  onde  chego  apos  2 hs para percorrer  5 km,  um  caminhão  de  " Resgate"  obstruindo  a agulha, obriga  a  que  se siga  por  10 km  até  um  retorno  para  novamente  chegar  ao  entroncamento.  O  Obstrutor  continuava  lá.  A lentidão  do  tráfego  permitiu  ver  o  motivo :  NENHUM.  Absolutamente  nada  que  justificasse.  Seria  uma experiência  de  como  fazer tudo  piorar ?  Precisavam  aumentar  a poluição  do  ar,  o  consumo  de petróleo  sem  sentido  ?  Ou  são  meus  mestres querendo  ensinar-me  alguma lição ?  Se  era isso,  dançaram,  só  senti  muita revolta, muita  raiva,  tanta  que  já  no  caminho  comecei  a sentir  dor,  cheguei  em  casa  e fiquei  uma  semana  de cama,  sem  conseguir  mover-me,  pela  dor intensa,  daquilo  que  já  sei,  a doença  do  "eu  me  odeio"  aquele  disturbio  que  produz  anticorpos  contra  meu  proprio  sistema,  sempre  que  eu  não  consigo  cumprir algo  de forma  a  me  deixar  satisfeita.  Não  aprendo  nunca, mas hoje, assim,  de  repente  as dores todas tinham  sumido, sem  sequelas aparentes,  pude  andar,  sentar sem  chorar, vir  aqui  matar  as saudades.

Mas  no  meu  jardim-de-vasos,  assim  de repente,  essa  velha  orquidea  surpreendeu-me  com  flores,  a  primeira  abriu  no  dia  que  Miguel  nasceu,  e a cada dia  está  mais  bonita.

Resumo :  ida: 240  km  em  sete  horas;  volta  180  km  em  seis horas  e meia. Tempo  suficiente  para  ir até  Viçosa  e  voltar.  Que  saudades da turma  de lá !

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segunda-feira, 12 de março de 2012

Inacreditável ! Tudo isso em um só dia !

Dia  8  de março.  Saio  de casa  às  3:45.  Destino : Paracamby.  Nem  sei  onde é, não  fossem  as informações que  colhi  aqui, no Sabio Google. Rumo ao  desconhecido, testando  o  quartomóvel, ainda  em recuperação  depois  de tantos mau-tratos  de mecânicos incompetentes e/ou  desonestos.  E  olha  que  ainda faltam  alguns  re-consertos, mas é  imperioso  que  eu vá,  vou  assim  mesmo.  Motivo : dia  de nascer  meu  quinto neto, e o  primeiro  filho  de filho.  Os outros, tres meninos  e uma  menina, são  todos  filhos  de filhas.  A  familia  da mãe  é  daquela região.
Manobro saindo  do portão, tensa,  a caixa de direção  roncando  ainda, me garantiram  que posso  viajar, mas que medo ! Só  então  percebo a claridade. Tudo  claro, uma enorme lua  enchendo  o céu  e a terra com seu  brilho de  reflexo. Sigo  em direção  sul, serpenteando, sempre a lua à frente, ora um pouco à direita, ora a esquerda, conforme  a rodovia se acomoda no  relevo discreto. Vez e outra, muitas vezes  a neblina esgarçada, deitada  sobre os  mais profundos  vãos  da terra  reluz ao  brilho  da  noite, ainda não  madrugada. Poucas vezes atravesso  nesgas da névoa rala. Nas poucas montanhas rochosas,  reflete-se  com intensidade o  brilho  lunático. Sou  mesmo  muito  sortuda.  Muitas dezenas de quilômetros adiante, no retrovisor, começo  a perceber um cinzento arroxeado, o dia  vai chegando, e logo  chego às margens da Baia de Guanabara, um visual  encantado ou  encantador, e onde hoje  tenho  uma surpresa,  por  conta  da companheira  de viagem,  que  se despende por ora, com um lindo  espetáculo. :

Vou  seguindo, sem poder parar, o  tempo  urge, nem  pensei  ao  planejar   a viagem,  que na Dutra,  a famosa Rio-Sao Paulo,  no  parte  que iria percorrer, certamente o  transito  estaria dificil. Existe  uma  hora  marcada.  O  Tempo  está  cercado, delimitado, encurtado.  Sigo.  Atraveso  a Ponte, a  baía  e  chega  então  o  sol.  Dourado, tímido  ainda, refletindo sua  beleza nas águas que acaricia,


mas mostrando  a força  que costuma trazer no verão  dessas plagas.  E  sigo. Rodando com  o  dia.  Na Dutra,  um  enorme  susto,  um  carro  logo  a minha  frente  segue  em direção à  mureta  que  separa  as pistas. Freio,  desvio  para a  direita, sabendo  que,  se colidisse, de  nada adiantaria  minha  manobra, mas no  ultimo  átimo  de segundo, o  motorista acorda, creio,  e desvia.  Eu não  vi  espaço  entre  o  carro e o muro, mas ao  ultrapassá-lo,  nem  um arranhão visível.  Graças!  E  sigo.  Finalmente entro  na rodovia  estadual, está  perto,  tudo  certo.
O  que  aconteceu  naquela  casa de saude, é digno  de outra postagem, técnico-indignada.  Mas ao  mesmo  tempo  me apresentando  uma realidade  que eu  desconhecia. Aprendizado. Estou  pasma!  Sim, agora  finalmente entendo  certas críticas e tentativas de restrições.  Tenho  o hábito  de julgar  ou avaliar  o  mundo  pelos  meus padrões, que são bastante  altos. Mas vi  agora  que  muitas outras coisas acontecem  mesmo. Não é SUS, não. É  "saude suplementar".  Mas tudo  ao  final, deu  certo. Miguel  chegou  bem.
E  a familia   perdoa os meios, pelo  fim. Fico  um tempinho, o suficiente  para mudar  umas "rotinas  hospitalares"  em  beneficio  da familia:  levar  o  Miguel  para o  quarto,  ao  invés do  tal  berçário  E  então, já  no  meio  da tarde, inicio  o  caminho  de volta.  Não posso  ficar  fora.  Deixei  em casa  uma grande crise  em andamento,  tenho  que estar  presente. Apos  contornar  novamente  a baía,  o  sol, escondendo-se agora  manda-me  sinais de  "  inté"  pelo  retrovisor  empoeirado. No  mesmo  local  onde  pela  manhã  despedi-me  da Lua, despeço-me, por ora,  do  sol.
 Adiante, outro susto.  Um  caminhão, de serviços  da concessionaria  que administra  a rodovia,  muda sùbitamente  de pista, me fecha,  freio rápido, ainda  bem  que  o  carro aguenta,  derrapa pouco, mas sem  danos alem  de meu  coração  que  dispara.  Ainda  bem  que  sustos assim não são  frequentes,  Acho  que  a falta  de pratica  recente me  deixou  temerosa.  E  sigo,  para  logo  adiante...Ela, novamente,  despontando  por tras dos morrotes do  litoral.

Eleva-se aos poucos,  num  jogo  de renascer varias vezes, nas curvas,  nas elevações ,  e iluminando,  entre os  reflexos  de luzes humanas  na lagoa de Araruama,  meu  trajeto  para  casa. 
Um dia  muito, muito  especial  mesmo.
Mais  de 500 km percorridos bem, tudo  fica bem e o  nenem  tambem.



ps:  costumo  cantar  para  acalentar  meus  netos: "  bem, bem, bem, tudo  fica bem. Bem, bem, bem  e o  nenem tambem..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tão lindas minhas lagartixas



Tão amigas também,  já que o aumento de sua população aqui em casa tem sido diretamente proporcional a diminuição dos mosquitos. Mas as vezes acabam sendo assustadoras. Quando ouço ruídos e logo penso em detestáveis camundongos. Um dia desses uma delas passando velozmente sobre a pia da cozinha assustou minha filha que me visitava, pois só percebeu vagamente o movimento, uma sombra de uma cauda  e como em sua casa na mata houveram recentemente visitas indesejáveis de pequenos roedores, na sua despensa, logo achou que aqui fosse o mesmo.  E hoje o susto foi meu, ao abrir um armário de cozinha onde guardo uma reserva de cereais e deparei-me com dois "cocozinhos", pretinhos, que logo atribuí aos mesmos mamíferos  roedores . Subo em uma cadeira, peço a filha aqui presente em casa para ficar ao meu lado, já que, caso fosse um camundongo eu certamente iria dar um salto e esborrachar-me ao chão e começo a retirar pacote por pacote enquanto  o medo começa a aparecer, o coração a acelerar; tenho a ideia brilhante de continuar a tarefa com uma escumadeira, afastando meus dedos do imenso perigo e vou, saco a saco, embalagem por embalagem investigando, explorando  e os ruídos de movimentos entre os plásticos ora mais forte, ora desaparecem, o medo só aumenta, e finalmente no ultimo esconderijo, lá estava a coitadinha, enroscada como um caracol, apavorada, pobre lagartixa. Saí de perto, deixei a limpeza para depois, para dar tempo para que nossos corações se acalmassem, voltassem a frequência normal . Pequei por não estar com a câmera fotográfica, mas ilustro aqui com fotos recentes da que vive ao lado do computador e que já me pregou alguns sustos também. E com a foto da que vive na sala, que tímida, esconde-se atras de cortinas, sempre.
Todas tem nome, mas não vou dizer aqui,  pode ser que, sem querer, aborreça  alguém  que não vai entender que gosto mesmo delas.  Mesmo quando soltam aqueles ruídos, "cricrizinhos"  que ou conversa, ou chamados, a principio assustam,. ( acho que minha coragem de viver é puramente faz de conta.)

PS:  O Eduardo, do Varal de Ideias, recentemente mostrou os lagartos que vivem em seu terreno  e eu disse lá  que, quem não tem lagarto, caça com lagartixa. Mas isso hoje aconteceu mesmo. As coisas ainda estão lá,  na bancada,  esperando arrumação.

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