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domingo, 18 de maio de 2014

Sonhando o dragão



Diz-se que se deve ter um grande projeto para dar sentido à vida. Tive muitos pequenos projetos. O único grande foi "filhos". Ou o único que realizei com sucesso. Muito sucesso.  Mas penso hoje, ter e criar filhos não se trata bem de projeto, mas de injunção circunstancial. Inevitável em alguns casos.  Não que não envolva amor. Não disse isso!
 Envolve, na verdade, torrentes de grandes sentimentos em doses maciças, colossais. Desejos, medos, preocupações( e ocupações), alegrias. Até a tal felicidade plena em seus momentos exuberantes, creio que só existe ali, dentro dessa relação, e ,  sobretudo,  o tal do amor. Mas não é um projeto, pois não se desenvolve nem ajusta ao que deveria ser tecnicamente quando tem esse nome. Não acontece como planejamos. Acontece, por exemplo, que vão trabalhar longe quando crescem.  E a vida vai tomando rumos muito diferentes daqueles do projeto. Então entram outros mega sentimentos explosivos, aderentes e penetrantes , a saudade e  a tristeza  apesar da alegria...
 Acontece que monstros que se escondem sob a cama, ainda estão ali, imateriais,  ficaram, atrapalham meu sono, meus sonhos. Esses, aliás, os grandes sonhos , dispersaram-se  como nuvens ao contato com o vento  das circunstâncias. Ou do Mal. Eu vi o Mal agindo. Nós vemos, a cada dia, a toda volta.
Mas estou amadurecendo um projeto que envolvem fragmentos aproveitáveis de antigos sonhos, colados pela calda de novos conhecimentos adquiridos. Sonhando novamente, tecendo planos nas insones madrugadas, despertando para novas perspectivas e realizações. Ou serão apenas novos delírios, infundados pois que permito serem atropelados por tais ou quais circunstancias?

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5 comentários:

Paula Barros disse...

Que bom que tem novos sonhos. Sempre tê-los. E sempre renová-los. E claro, estar preparados para vivê-los, ou não, quem sabe.
abraço

Rubinho Osório disse...

"Dream, love is only a dream, remember... Remember, life is never what it seems, dream..." (música "Remember" de Harry Nilsson).
Se quiser ouvir:
http://letras.mus.br/harry-nilsson/826631/

oimpressionista disse...

"No primeiro estágio dessa espécie de aventura, o herói abandona o ambiente familiar, sobre o qual tem algum controle, e chega a um limiar, a margem de um lago, ou do mar, digamos, onde um monstro do abismo vem ao seu encontro. Aí há duas possibilidades. Numa história do tipo daquela de Jonas, o herói é engolido e levado ao abismo, para depois ressuscitar; é uma variante do tema da morte e ressurreição. A personalidade consciente entra em contato com uma carga de energia inconsciente que ela não é capaz de controlar, precisando então passar por toda uma série de provações e revelações de uma jornada de terror no mar noturno, enquanto aprende a lidar com esse poder sombrio, para finalmente emergir, rumo a
uma nova vida.
Outra possibilidade é o herói, ao defrontar se com o poder das trevas, vencê-lo e matá-lo, como Siegfried e São Jorge fizeram quando enfrentaram o dragão. Mas, como Siegfried aprendeu, é preciso provar o sangue do dragão para incorporar alguma coisa do seu poder. Quando matou o dragão e provou do seu sangue, Siegfried ouviu a música da natureza. Ele transcendeu sua humanidade e uniu se novamente aos poderes da natureza, que são os poderes da vida, dos quais somos afastados por nossas mentes.
(...)
Se o trabalho que você faz é o que você escolheu porque encontra prazer nele, então é o trabalho. Mas se você pensa: “Oh, não, eu não devia estar fazendo isso!”, então é o dragão espreitando, dentro de você. “Não, não, eu não podia ser escritor” ou “Não, não, eu não podia de modo algum estar fazendo o que fulano faz.”
(...)
As pessoas têm a ilusão de salvar o mundo trocando as coisas ao redor, mudando as regras, quem está no comando e assim por diante. Nada disso! Qualquer mundo é um mundo válido se estiver vivo. A coisa a fazer é trazer vida a ele, e a única maneira de fazer isso é descobrir, em você mesmo, onde está a vida e manter-se vivo.
(...)
Mas, em última instância, a proeza derradeira tem de ser praticada por você, só. Psicologicamente, o dragão é o atrelamento de si ao seu próprio ego. Estamos aprisionados em nossa própria caverna de dragão. O objetivo do psiquiatra é desintegrar esse dragão, pulverizá-lo, para que você possa se expandir num campo maior de relacionamentos. O último dragão está dentro de você, é o seu ego, pressionando-o.
(...)
Nossos dragões, no Ocidente, representam a cobiça, mas o dragão chinês é diferente. Ele representa a vitalidade dos pântanos, e emerge batendo na barriga e rugindo, ameaçador. É uma espécie adorável de dragão, a que libera a generosidade das águas – uma grande, gloriosa dádiva. Mas o dragão das nossas histórias procura juntar, acumular coisas, todas as coisas, para si mesmo. Ele guarda essas coisas na caverna secreta: pilhas de ouro e, quem sabe, uma virgem raptada. Ele não sabe o que fazer nem com o ouro, nem com a virgem, por isso se limita a guardá-los. Existem pessoas assim, são os parasitas. Não há vida neles, nem doação. Eles apenas se grudam a você, se penduram em volta, e tentam.sugar, de você, a vida de que necessitam.
Jung teve uma paciente que o procurou porque se sentia só no mundo, no meio dos rochedos, e no desenho que fez, a pedido dele, para mostrar como se sentia, ela estava na praia de um mar lúgubre, presa entre os rochedos, da cintura para baixo. O vento soprava, seus cabelos balançavam; todo o ouro, toda a alegria de viver estava trancada, longe dela, nos rochedos. O desenho que ela fez em seguida, porém, acompanhava algo que ele lhe dissera. Um clarão de relâmpago atinge os rochedos e um disco dourado começa a se erguer dali. Não há mais ouro trancado dentro dos rochedos. Agora há pedaços de ouro na superfície. No curso das entrevistas seguintes, esses pedaços de ouro foram identificados. Eram os amigos dela. Ela não estava só. Ela tinha se trancado num quarto e numa vida
pequenos, embora tivesse amigos – mas só se inteirou disso após haver matado o seu dragão."
(Joseph CAMPBELL, "O PODER DO MITO", Parte V, "A SAGA DO HEROI", págs. 161-164)

O Árabe disse...

Indo por partes, amiga, eu diria que o poder dos sonhos é impressionante: são eles que nos fazem seguir em frente, mesmo quando tudo parece perdido; só precisamos ter cuidado para não nos deixarmos levar por eles... ou conheceremos o outro lado da moeda: as desilusões.
Quanto aos filhos, sinceramente, hoje me parece que são o mais perto que podemos chegar do que seja o verdadeiro Amor.
Muito bom ver você de volta, bom resto de semana!

Dalva M. Ferreira disse...

Vai saber, minha cara, vai saber. Eu acredito muito mesmo na força do destino, tinha que ser assim, assim será. O amor ajuda.

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