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quarta-feira, 28 de abril de 2010

A estupidez do ser humano ainda me choca. Não sei porque fico achando que já era tempo de se ter aprendido o básico. Mais ainda quando se trata das condições necessárias à própria sobrevivência da espécie.
Nesta semana, quando fui à Petrópolis, passei pela casa em que morei seis ou sete anos, para buscar correspondência, e vi que a senhoria cortou TODAS as árvores do terreno. Algumas, como um pé de nêsperas, tão antiga que abrigava diversas bromélias e orquídeas nativas, e mesmo assim fornecia frutas em abundância, que alimentavam sabiás e inumeras aves que ali faziam seu pouso, e fornecia alegria com sabor aos humanos da casa. Outras duas pitangueiras enormes, duas outras árvores, que não sei o nome, nativas de mata atântica, que floresciam lindamente , alem de permitirem sombras onde eu havia deixado um banco de jardim, para apenas sentir os perfumes, descansar, contemplar. Mais alguns arbustos decorativos, que reduziam, à entrada do terreno, os sons da rua bem como a poeira do asfalto e permitiam que o gramado, a área social do jardim ficasse indevassado, longe da visão dos transeuntes da rua em frente, uma ladeira de onde, sem isto, ve-se o interior da casa, com as janelas abertas. Tudo destruido. Montes de troncos e galhos espalhados pelo "gramado", aguardando serem removidos. Um crime, verdadeiramente.Que me fez doer o peito, deu um nó na garganta, desabafei com o trabalhador, não havia o menor risco à segurança do imóvel, que agora fica entre muros como um deserto. Onde irão os sabiás, os bem te vis, e tantos outros que eu adorava observar? eu sei que muitos mudaram-se, irão sobreviver, mas...
Quando se corta uma árvore, não é só a árvore que eliminamos, mas todo um conjunto de seres vivos que dali fazem sua vida. Matamos muito mais do que apenas aquelas folhas. Matamos todo um ecossistema.
Que pena senti por não ter retirado todas as plantas que podia, deixei as bromélias, tudo, por respeito ao meio onde estavam inseridas. Para serem assassinadas brutalmente. Mais um pequeno deserto se formou. O mundo inteiro ficou um pouco mais pobre. E eu, mais triste, pelas amigas de tantos anos, pela humanidade inteira.

5 comentários:

Rubinho Osório disse...

Na minha cidade, que é bem atrasadinha em tudo, uma coisa assim daria pesada multa para o proprietário. Para se cortar uma árvore, é preciso conseguir autorização da prefeitura, que o faz sob a condição do proprietário doar 2 mudas de árvores nativas ou frutíferas para cada cortada.

Beatriz Fig disse...

Nossa me senti mal só de pensar! Na minha antiga casa tem alguns pés também e orquídeas e já pensei que o novo morador pode acabar com tudo e senti uma raiva imensa. Não gostaria de ver isso! Qual a lógica, o princípio, motivo e tudo mais de uma pessoa que faz isso??? Um crime! Cade o castigo?

Pimenta disse...

cruel mesmo.E feio,muito feio.
bjo

oimpressionista disse...

Mas o que esperar de um país que cultua Niemeyer, com seus desertos pré-fabricados, causticantes, sem verde. No Memorial da América Latina, este elefante branco paulista (com perdão dos elefantes), uma área equivalente a muitos campos de futebol foi totalmente coberta com concreto. Não há plantas, não há bancos, não há sombra. Apenas um plano que, ao sol, reflete-o ferindo os olhos e esquenta, calcina tudo e todos. A um canto, palmeiras brotam de perfurações circulares de meio metro no meio do concreto, como se fossem cerdas de uma escova. É isto que o brasileiro, esse caso perdido de idiotia coletiva, ama.

Dona Sra. Urtigão disse...

É, Rubinho, a lei existe, mas é tão pouco doar duas mudas de árvores, que vão demorar tanto até crescerem, se crescerem que faz com que as pessoas que cortam árvores nem se preocupem com puniçao tão branda

Beatriz
talvez porque sempre planto árvores e transformo onde moro em quase florestas, e porque moro em casas alugadas, que toda vez que mudo-me passo por esta dor. Da outra vez foram dois angicos e alguns pinheiros, com bromélias e orquideas

Pimenta
e nada adianta tentar fazer a respeito...

oimpressionista
uma coisa que me impressionou onde vim morar é que no campus de uma universidade daqui, que tem curso de pós graduação em gestão ambiental, toda a área livre, estacionamento e pátios é forrada com pedra de brita, sem nenhuma árvore ou qualquer vegetação, num lugar onde o calor é tremendo. Coisas brasileiras, voce tem razão. Pobre povo, somos nós.

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