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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Memórias...


Passando ontem por este muro, lembrei-me da importancia que sua construção, a cerca de 40 anos, teve na minha vida.

Moro atualmente no mesmo bairro em que nasci e nasceram meus pais e parte dos meus avós. Descendentes de colonos alemães, cada familia da região tendo recebido glebas de terra que foram sucessivamente sendo divididas por seus filhos e netos, tornando-se quase lotes. Isto no lado direito da rua. No outro,( vou ate tentar saber porque, posteriormente, )existem mansões de veraneio. Casas de familias abastadas do Rio ou outros lugares, assentadas em enormes jardins, gramados, com requintes de casas de ricos. Vários fatores faziam com que nós, do lado pobre, tivéssemos certos conceitos ou preconceitos formados a partir desta convivência. Exclusão, inveja, sei lá. Na rua perpendicular a nossa, a maioria das casas já eram dos ricos. Nesta casa, certa vez, derruba-se a cerca viva comum naqueles tempos mais seguros, para construir o muro. Eu, na fase que hoje se chama adolescencia, fiquei chocada. Construir muros derrubando flores, só podia ser coisa de rico. Já vira outras fazendo o mesmo. Colocando extensos pátios de lajotas de pedras substituindo gramados e sem ao menos grama entre elas. Note que desde a infancia era apaixonada por jardins e bichos, ajudando minha avó com suas plantas e fazendo os meus jardins em qualquer pedaço de terra disponível, meu sonho já era ter um sítio. Qual não foi meu espanto ao ver que a dona, uma socialite, mandou fazer buracos no muro para não ter que cortar galhos das árvores. Isso mudou minha cabeça, tambem nela fez-se uma abertura para entender que nem todos merecem classificações fundadas nesta ou naquela circunstancia. Que valores devem se atribuidos a indivíduos e não a classes sociais. Fiquei menos marxista, ou menos radical.
Mais tarde vi que aquela senhora tornara-se uma das primeiras ecologistas nestas terras brasilis e que os pobres querendo ser como ricos, calçavam seus pátios, cimentando-os.

9 comentários:

Selena Sartorelo disse...

As vezes adotamos conceitos de pessoas próximas sem ao menos entendê-los..mas bom quando pensamos por nós mesmos e descobrimos que o ser humano pode sim nos trazer boas surpresas. A vida fica um pouquinho mais bonita.
E quanto tempo não passou depois da construção desse muro, e o mais importante você guardou até hoje prá poder nos contar.
Como é bom perceber que no meio dessa loucura que vivemos, ainda temos tempo de lembrar. E quem sabe esses que imitaram o cimento não foi somente por não saberem pensar.

Dona Sra. Urtigão disse...

Selena,
mas não é ? Ortega y Gasset já disse, " Eu sou eu e minhas circunstãncias",( mais ou menos assim, estou com preguiça de ir ver a citação exata). Vamos sendo (re)construidos a partir de desconstruções ( Foucault, Gattari). E aqui neste pais ou civilização onde certas formas da cultura são desvalorizadas em favor de outras, como o "ter" em detrimento ao SER, o que se poderia esperar? Ainda bem que alguns tem a sorte de encontrar em si ou no outro as possibilidades para reflexão e recriação de si. Agradeço à vida que tive/tenho por estas oportunidades. E então terei ainda mais possibilidades de SER.
Abraço.

Armando Maynard disse...

Interessante, é que muitas vezes, mesmo ainda criança, já temos alguma consciência de preservação do meio ambiente e patrimôneo. Que GRATA SURPRESA você teve, quando pode presenciar que o muro que sua visinha mandara construir, não afetaria a árvore que ficava em seu caminho, e sim, deixava que seus grossos galhos vazassem pelos buracos feitos providencialmente, a mando da rica proprietária, numa atitude que veio mostrar a sua sensibilidade para com a natureza, coisa que você não esperava, até porque, o mais comum é cortarem pela raiz, qualquer árvore que atrapalhe uma contrução. No meu caso, foi uma INGRATA SURPRESA. Vamos aos fatos. Nasci em Riachuelo, estado de Sergipe. Passo as vezes muitos anos sem ir lá, mas toda vez que vou, gosto de dar uma passadinha em uma rua toda calçada de pedras gigantes e brancas. Há tempos não a visitava. E qual não foi minha surpresa, quando da última vez que por lá passei, pude presenciar a obra do prefeito da época. O mesmo tinha mandado asfaltar toda a rua, que era calçada de pedras gigantes que eu tanto admirava. Me lembrei daquele humorista que falava “a ignorância é que atravanca o progresso”. Acho que o prefeito entendeu a frase a favor de sua estúpida idéia.

Oliver Pickwick disse...

Como vê, a consciência do correto não precisa de rótulos e nem do suporte de ONGs milionárias, pois no tempo em que esta senhora esburacou o muro não existia o Greenpeace e nem a sociedade Tudo Por Um Guaxinim.
Mas o que eu gostaria mesmo era de ver fanáticos pelo combate a fome dos milhões de crianças miseráveis da África e de outros países.
Um beijo!

Dona Sra. Urtigão disse...

Oliver,
para a grande maioria a Africa é só um lugar exótico de filmes de hollywood (Cumésiscreve isso?) . A fome do outro não incomoda nem na vizinhança, o faminto incomoda," bom seria remover os pobres p'ra longe,são perigosos, filho de pobre é bandido, dá dinheiro p'ra pobre não que eles vão beber" e sei lá quantos preconceitos a mais.
Quantos de nós, classes favorecidas se movem realmente para tirar UMA pessoa da miséria? Pagar dignamente por serviços prestados, pagar instrução da filha da empregada? Mas não é nosso problema. Adotar ou apadrinhar uma criança em situação de risco social ou moral... a lista é imensa. Falar, mas diga quem voce conhece que fez?
Abraço.

Dona Sra. Urtigão disse...

Armando,
mas minha cidade foi totalmente asfaltada poe sobre os paralelepipedos, pois incomodava aos carros a vibração ( pó do asfalto é cancerigeno, asfalto impede a chuva de ser absorvida pela terra, o que ocorria em calçamento de pedras,pelas frestas, e se acumula em bueiros causando inundações), pessoas cortam árvores para não sujar as calçadas e compensam com duas ou tres mudas de meses de vida à secretaria de meio ambiente. Mas tudo isso voce sabe, só estou desabafando. Tanta burrice irrita ( que os burros me perdoem a metáfora)
Abraço.

disse...

'Dona Sra Urtigão', seria essa foto de um muro da cidade de Petrópolis??
Esbarrei com seu blog no (santo) Google procurando pelo Caçador de Hipócritas (a net nos leva mesmo a lugares completamente diferentes) e passando em revista sua pagina inicial me deparei com essa foto belíssima.
Acho que virei aqui mais vezes.
Seu blog inspira paz.
E adorei as fotos caninas!

disse...

Vizinhas!!!!
Que ótimo.
Estou com o blog a um pouco mais de um ano e é a primeira pessoa que encontro tão próxima.
Não tinha como ser outro, aquele muro, aquela casa sempre me encantou!
Quanto ao caçador, achei.
Estava curiosa para saber quem era a figura depois que um amigo disse que o viu e achou interessante.
Eu, particulamente, não achei nada interessante, apenas 'criador de casos'.

Agora me passe a dica de como deixar todos os seguidores na primeira pagina???
rsrsr

beijosss

Gaspar de Jesus disse...

Olá Dona Urtigão
Como eu a entendo minha amiga.
Esse mesmo sentimento eu sinto quando piso as mesmas pedras que viram crescer...!
Quem diz pedras, diz muros, pessoas, etc.
É como que uma sensação de Nostalgia, mas também de alegria por compartilhar-mos as histórias da nossa vida.
Bjs
G.J.

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