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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Alienação?

É possivel sentir-se feliz e conviver com as guerras no mundo ?
É possivel fazer-se tres refeições ao dia sem sentir culpa pelos que estão morrendo à fome ?
É possivel tomar-se banho enquanto há quem morra de sede ou falta d'agua?
Dormir ao abrigo enquanto tantos estão ao relento?
É possivel o individuo ser como uma ilha?
Como não ser afetado pelo mundo?
Talvez ao abrigo de alguma religião, que faz o homem acreditar-se melhor e superior ao que é. Melhor e superior do que os outros viventes.
Quisera ter essa fé. Não sentiria esta culpa de ser humana.
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3 comentários:

oimpressionista disse...

Possível? Claro que é: tantos à nossa volta o fazem. Porém apenas fingem não serem afetados pelo mundo. O mundo os afeta, nem que seja na tocaia, sob a forma de um assalto à mão-armada, de uma bala-perdida, de uma enchente, de um tsunami. Cruz-credo.

Religiões: ao abrigo delas você pode sentir-se maior e melhor que os outros, sim, e portanto pronto a desprezar o sofrimento deles. Mas pode também sentir-se menor, pequeno, humilde, insignificante, e com isso abandonar as preocupações com os grandes problemas do mundo. Eles são tão grandes, melhor deixá-los à mercê de Deus, que é grande e tudo pode. Esse conforto anestésico às vezes é irresistível.

Eu mesmo já tive essa última tentação. Nem precisei abraçar fés quaisquer. Diante das "guerras santas", pensei (e às vezes ainda penso): "esses que pensam que têm licença de Deus para odiar e destruir outro semelhante, outro vivente, que se entendam com Ele, ou que se amarguem ao descobrir, nem que seja no segundo que antecede a morte, que Ele não está Lá". Tenho meus dias de radical e fundamentalista, rs. Embora insuspeitado, já que não brigo, não grito, não acuso. Fico de cara amarrada, eis tudo. Não gosto muito, se pudesse evitaria sentir isso.

No mais das vezes, porém, penso que fazemos quase todo o pouco que podemos sendo honestos, humildes, sensatos, calmos, trabalhadores, leais, éticos, e responsáveis perante nós mesmos, perante as pessoas à nossa volta que nos amam, e perante todos com quem convivemos de alguma maneira. Contando até dez antes de indulgenciarmos nossos impulsos irracionais ao apego, à avareza, à agressão. Perdoando aos que, como nós, não dão conta de cumprir sempre esses ideais. Perdoando.

Perdoar é fundamental. As pessoas são tão imperfeitas de tantas maneiras diferentes... Não precisamos nem devemos imitá-las em todas as suas imperfeições de que temos consciência. Cada um sabe o quanto custou libertar-se de algumas delas, e às vezes temos a glória de poder ajudar alguém a fazer o mesmo. Mas a quem não conseguir, perdoemos. Perdoar não significa compactuar. Pelo menos não para mim. Significa dizer algo como "bem, pois sim, tanta coisa errada, mas não dá para voltar atrás... Consertemos o que é possível, contornemos o que não pode ser consertado, e conformemo-nos com o que não pode ser consertado nem contornado".

Mas, ei, não nos conformemos rápido demais. Honremos nossa inteligência buscando ser criativos para achar formas insuspeitadas de consertar ou contornar as coisas ruins que aí estão. Mas para isso temos de aceitá-las de alguma forma, enxergá-las, trazê-las para nosso mundo. Não posso lidar com o que não enxergo, mesmo que não enxergue porque tapei meus olhos por vontade própria.

A culpa que sentimos é a mesma culpa de que não aliviamos o mundo à nossa volta, as pessoas nele. É o muro que impede que estendamos a mão para curar as feridas uns dos outros. Veja só: pessoas separadas por um muro ainda podem atirar pedras umas nas outras, mas não podem curar as feridas das pedradas. Interessante, não?

Desculpe a escreveção desenfreada... Estava com vontade de escrever e, aqui no seu blog, sei lá por quê, sinto-me em casa. Devo agradecer-lhe por isso, acho.

Abração e bom final de semana!

Dona Sra. Urtigão disse...

Meu caroimpressionista, tentando um diálogo regular,ou, dialogando pela ordem dos argumentos, quanto ao primeiro e segundos parágrafos, concordancia plena. Quanto ao terceiro, uma cara amarrada pode não dizer o que deveria ser dito e que melhor seria expressado mesmo gritado, ou acusando. Porque certos sinais são interpretados de forma muito diversa, se bem que palavras tambem...não sei, talvez isso mesmo, cada um incompreendido, mas a seu jeito.
A questão do perdão, concordo em teoria, mas não na prática, voce sabe o quanto me debato com este problema. Mesmo sabendo que perdoar é melhor para quem perdoa, ainda sinto algumas coisas como imperdoáveis.Se as trago ao meu mundo, se as compreendo, pactuo. Paradoxalmente, parece.
E quanto ao escrever muito, sempre fico querendo que tivesse escrito mais pois são conceitos que induzem à reflexão, e mesmo minha resposta de agora, fico pensando em outras possibilidades de avaliação do que voce ensina.
E, finalmente, fico MUITO feliz que se sinta em casa. Está em casa.
Abraço.

oimpressionista disse...

Perdoar... Na prática a teoria é sempre outra, para mim (também?). Mas acho que ao tentar convencer a mim mesmo do que disse em meu comentário anterior, condiciono-me a criar uma certa resistência ao não-perdão, alguma coisa que me obrigue a hesitar antes de qualquer atitude agressiva ou impensada, decorrente do não-perdão. É que já me arrependi tanto dessas atitudes...

Obrigado pelas portas abertas.

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