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domingo, 8 de junho de 2008

EM PRIMEIRO DE ABRIL...




Imaginem só, hora zero, último instante da noite, primeiro do dia, ( a propósito, como viviam os gregos sem conhecer o zero?) Mas deixa pra lá, hora zero ou meia noite, a estrada deserta, uma planície imensa, nenhuma cidade perto, uma ou outra luz distante em moradias espaçadas. Naqueles êrmos, a maioria já dorme, será? Lua nova, ou, não-lua. Não, não é um conto de terror. É uma crônica do esplendor, do contato com o sublime. A imensidão estrelada, o firmamento...Algumas estrelas passam, correndo. Para onde foram, apressadas?
Já cinco horas da manhã, seguindo pelas estradas, o mar invisível,rugindo à nossa esquerda. O céu, aí sim, iniciando o dia. Cinzas, azulados, rosados, ó palavras, não fujam, permitam-me transmitir pelo menos uma vaga noção daquilo de que participei...
Seis horas, a estrada margeando a praia, um nascer do sol... e depois outro e outro, o Sol brincando com a Terra, ocultava-se no relêvo que contorna parte do Oceano, ocupando-se em deslumbrar, reaparecendo, até que não podendo mais, brilhou definitivamente nas ondas do mar. Êste, brincando também, lançava suas ondas para o alto, mais alto, mais, como que tentando, aqui na praia, unir-se ao céu, como unido está no horizonte.
Retorno sòzinha. Mas não acaba aqui. As estradas se ligam, interconectam-se e eu não preciso repisar por onde andei, não preciso parar. O final será só quando e se eu quiser. Sigo então para longe do mar, para perto das montanhas. Vou por entre fazendas, o pasto em várias tonalidades de verde devido às chuvas recentes, pontilhado por animaizinhos, o gado, ao longe.Recuso-me a pensar na crueldade de seu destino. Vejo-os sòmente, na comunhão com a natureza.Na sua beleza.
E sigo sem parar, serpenteando na estradinha, do mar à serra (ou Serra-Mar). O rio, à minha direita, serpenteando também,em sentido contrário ao meu, ansiando pelo seu encontro com o mar. E, de pura alegria, lança cintilações de luz, em cada curva, explosões de águas nas pedras das corredeiras, encontro das águas, e corre por entre a mata. Mata Atlântica, acreditem! Ainda existe! Maltratada, é verdade. Invadida por lugarejos, por ocupações humanas, as tais ações antrópicas. Mas grandes ilhas da mata persistem, e até pontes de mata entre algumas ilhas.
Desço pelo outro lado da serra. Àreas de cultivo, grandes plantações. Que pena, antenas de celular, desfigurando a beleza das aflorações graníticas. Nós humanos precisamos nos alimentar, comunicar, e com excessos...
Mas aquelas montanhas, tão familiares se reinventam, por novas maneiras de se expôr à luz, novas sombras. As vezes descem parte de sua capa de terra e vegetação, tentando, quem sabe, coibir os abusos que nós cometemos.
Às treze horas, estou em casa, de onde partira quinze horas antes. Nâo foi um sonho, embora tenha dormido um pouco, na madrugada. E chego com saudades dos que ficaram. Porque o tempo não se mediu pelo relógio, mas pela intensidade da emoção experimentada. Fiquei muito tempo fora.

Um comentário:

Patrícia disse...

"Porque o tempo não se mediu pelo relógio, mas pela intensidade da emoção exterimentada. Fiquei muito tempo fora."
Essas duas simples orações exprimem tanta coisa! Estou sem palavras. Como você sabe, estive em São Paulo durante 4 dias e voltei com tantas saudades de tudo e de todos! Não que eu tenha passado tanto tempo fora, pelo contrário, mas foram tantas experiências novas, tanto aprendizado, tantos lugares... que parece que fiquei uma eternidade distante das coisas e pessoas que amo. Estou com saudades.

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